|
||||||||||
|
||||||||||
Parece que foi ontem Se o calendário marcasse ainda o ano de 2003, ontem eu estaria me mudando oficialmente para a primeira casa montada por mim – claro, ao lado do rapaz que, também oficialmente, estaria passando para o time dos “casados” no futebol semanal. Há um ano e um dia mudei de endereço e de estado civil. Quando cruzamos a porta naquela noite, eu tinha alguma idéia do que era viver sob o mesmo teto. Mas não imaginei que fosse ainda melhor do que pensava. Basicamente, por duas razões: a casa e o caso. Ser dona da sua própria casa é bom demais da conta. Especialmente para alguém como eu, dada a essas coisinhas corriqueiras do tipo cozinhar – como eu disse aqui; cuidar de plantas – como o pé de manjericão e o de pimenta que plantamos há meses e agora fornecem temperos para nossos pratos; definir se vai botar um vaso aqui ou ali – como a orquídea que ganhei da mamãe. Outro prazer é inventar modas para decorar nosso endereço – como a mesa do escritório sobre a qual me apóio agora, criada com dois cavaletes e uma tábua enorme. Nela, repousa uma colagem de fotos, recortes, tíquetes de cinema, shows e partidas de futebol. Meu novo (mas nem tanto) lar-doce-lar tem também a parede da memória, onde afixamos fotos dos avós, pais e irmãos que nos fizeram ser quem somos hoje. O caso é outra parte da alegria de estar casada. Completei bodas de papel (eu acho cômica a seqüência das tais bodas) ontem, mas conheço esse garoto há nove anos. Já sabia muito bem, portanto, em que buraco eu estava me metendo ao dizer “sim” para o moçoilo. Mas ele ainda me surpreende. Isso porque ele é sério, mas engraçado. Esquentado às vezes, mas extremamente simpático sempre. Absolutamente sincero e comprometido com as coisas que faz. Chatíssimo, quando insiste em guardar as meias sujas dentro dos sapatos, deixar a gasolina do carro na reserva ou se negar a jogar no lixo coisas que estão na geladeira há um tempo respeitável. Objetivo, como eu preciso que alguém seja – já que sou o oposto complementar dele nessa parte. E, acima de tudo, corajoso. Muito corajoso. Ah, sim! Ele também ri das minhas piadas e é bobo às vezes, como convém a qualquer pessoa do bem ser. Outro dia mesmo estávamos no sofá assistindo a um documentário sobre mágica, quando apareceu o famoso truque de serrar uma mulher ao meio. Perguntei: “como diabos será que eles fazem isso?”. E ele, deslavadamente: “bom, a mulher entra ali, eles serram e, depois, jogam a vítima no lixo, em dois sacos separados, um para cada parte”. Parece que foi ontem que eu decidi levar a vida, até onde der, ao lado desse cara. E por essas e outras, não me arrependo. |
![]() |
|||||||||
![]() |
||||||||||