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Dê um tempo ao Sr. S A bola da vez na pichação cinematográfica é “A Vila”. Tem ao menos três semanas que escuto falar mal do filme, com adjetivos indo de “estúpido” à “enganação”. Isso tudo num tempo em que está em cartaz a pataquada de nome “Alien vs. Predador”! Querem me convencer que o duelo gosmento entre as bestas é mais legal do que o filme de M. Night Shyamalan... Não, não. Fui ver a história do vilarejo e pasmem: é bom, sim! Acho que entendi o problema com a produção depois de ter assistido. Não é mal feita, não é ruim, tem bom roteiro e excelente técnica. O caso é: trata-se de mais um filme do indiano malucão. E, como agravante, foi vendido ao público me maneira bem safada. Esqueça aquele trailer imbecil dizendo “não conte o final deste filme”. É gato! Até onde sei, gente normal não conta o final de nenhum filme, certo? A frase de (d)efeito está ali puramente para servir de isca. Daí muita gente vai ver acreditando tratar-se do mais espetacular desfecho da História e vem a decepção. Claro, ninguém gosta de ser tratado feito peixe burro enganado por uma minhoca de látex. O final é interessante, não desconcertante. É curioso, não o maior cambal já aplicado numa platéia. Tendo isso em mente, fica mais fácil apreciar. Então, ponto superado, vamos ao outro problema. M. Night Shyamalan é um rapaz de 34 anos nascido na Índia e criado desde pequeno nos arredores da Filadélfia, Estados Unidos. Seu laço forte com a cidade e a verve asiática para fundir o mundo dos vivos com o dos mortos deu a idéia para o primeiro grande sucesso nas telas. Eu passei bem mal em “O Sexto Sentido”, de 1999, mas adorei cada segundo. É filme para rir, chorar, deixar o queixo cair, ter ataques de gritos – aquelas obras completas para qualquer pessoa afeita a aboletar o traseiro numa poltrona de cinema. Todo mundo amou, porque há muito tempo nenhuma peça hollywoodiana se aproximava tanto de Alfred Hitchcock. O suspense voltou a ser gênero de primeira necessidade e gente de todas as idades repetia “eu vejo gente morta” em piada de boteco. Shyamalan “enricou”, ganhou prestígio e partiu para a próxima, em 2000. Tratava-se de “Corpo Fechado”. Todo mundo foi ver e decepcionou. Não tinha o final acachapante do outro filme, que horror! Mas, de novo, eu gostei... Bruce Willis era ou não um homem com superpoderes? Achei genial o tratamento de HQ levado daquela maneira. Mas não era “O Sexto Sentido”, então enxovalharam. Dois anos depois os trailers começaram a mostrar a nova obra de M. Night. Chamava-se “Sinais” e mostrava os círculos feitos em plantações, aqueles picados por criativos ETs. Causou frisson de novo, foi aquela expectativa... e todo mundo odiou. Saco, eu gostei mais uma vez! É praga? Só pude confessar ter gostado de “Sinais” falando baixinho, “meio de lado, já saindo, indo embora...” E fico sem entender, até hoje, o que esperavam do filme ou o que acharam faltar nele. Disseram que os alienígenas se pareciam com o Aquaman. Pessoalmente, eu achei ótima a mistura de “Inimigo Meu” com “O Monstro do Pântano”. E, pelamordedeus, quem pode ter certeza sobre a aparência de um ET?? Tudo bem que o indiano apela um pouco ao sentimentalismo. Mas cinema não é para isso também? Li esta semana, em uma revista, que “O Terminal”, de Steven Spielberg, era “piegas”. Parece que vivemos em um tempo onde é proibido ser bobo, romântico, inocente e desprovido de armas. Até no cinema. Pensando em tudo isso, fui ver o novo de Shyamalan, “A Vila”, desprovida de preconceitos – e de pura birra, porque quando a “Folha de São Paulo” diz que é ruim, daí ganho mais vontade. O ponto grave é: dizem que o diretor chupou a idéia de um livro infantil publicado pela escritora Margaret Haddix. Se foi isso mesmo ou não, ainda não está provado. Mas o filme saiu bom, poxa... Eu fiquei com medo “daqueles-que-não-falamos-o-nome”. Vou defender Shyamalan dos maledicentes, sim. Cineasta que prega susto tão bem não pode ser enganador. Podem pichar à vontade.
O da direita é diretor do bom |
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