De dois em dois anos, o povo brasileiro é conclamado a participar da grande festa democrática, escolhendo seus representantes para os cargos de prefeito, vereador, deputado, senador e presidente. Além da consolidação da democracia, do exercício da cidadania e todas essas bossas, a época de eleições também me faz refletir – e rir um bocado.
Tem uma porção de coisas que não entendo nas eleições. Elas vão das famigeradas pesquisas de opinião aos nomes bizarros de alguns candidatos. Claro que votar é algo para ser levado muito – mas muito mesmo – a sério. Quem acha que é piada acaba elegendo figuras como o Enéas, que agora me saca da tal “senhorita Cássia”. Ainda não ouvi a voz daquela mulher. E por que ele fica segurando a mão dela na propaganda? Cruzes.
Mas enfim. Será que sou só eu, ou alguém aí fora também não compreende a lista abaixo? Como pode...
... ter gente que acha legal emporcalhar a cidade?
Quando vejo aquele kombão soltando santinhos às centenas pela janela, trato de prestar atenção para NÃO votar no infeliz que acha ser essa uma boa tática de campanha. Vale o mesmo para aqueles cartazes mal-ajambrados, pendurados num poste atrás do outro. Como disse Flá Wonka, não tem um jeito melhor de fazer campanha, não?
... ter candidato que usurpa nomes de famosos?
Esses dias topei com material de campanha de uma certa Hebe. Tudo bem, pode haver mais de uma Hebe na face da Terra. Mas a dita-cuja usou uma tipologia igual à do logo do programa da Hebe – aquela que veio logo depois da grande explosão que originou o universo, e apresenta um talk-show no SBT. Sai da aba, dona Hebe! (Isso ficou parecendo a lição do “B” na cartilha).
... ter eleitor que deixa as pesquisas influenciarem seu voto?
Primeiro: nunca fui entrevistada numa pesquisa de intenção de voto, nem conheço ninguém que tenha sido. Elas devem ser muito qualitativas mesmo. Segundo: como pode haver resultados tão diferentes de um instituto para outro? Terceiro: se a margem de erro geralmente é de dois a três pontos percentuais, um candidato com 1% das intenções de voto pode estar devendo um ou dois pontos?
... ter quem vote no Maluf (fora ele mesmo e a Silvia)?
Começo a desconfiar que o Maluf não existe. Acho que ele é fruto do inconsciente coletivo, corporificado numa forma aparentemente humana. A campanha do cidadão fica mais bizarra a cada dia. Ele promete coisas tão absurdas que, hora dessas, vai dizer que fará aparecer uma casa e um emprego para cada morador de São Paulo, além de ressuscitar os entes queridos de cada um, com uma varinha de condão.
... ter alguém que espera ser levado a sério com o nome de Rôla?
Sabe do pior? O nome do cidadão, que foi candidato a deputado federal em Sergipe, é José Ribeiro! Ou seja, escolheu Rôla por conta própria. Não tem nem a desculpa do “mas esse é meu nome de batismo”. E o slogan da figura é o melhor: “A mudança é agora. Vote diferente, e rôla neles!”. Com exclamação e tudo. Acha que inventei? Olhaí.

Rôla onde, meu filho?