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Eu adoro cozinhar Eu adoro cozinhar. Eu sei, comecei repetindo o título, mas é para enfatizar bem. Sempre achei o máximo misturar quatro ou cinco coisas que não eram nada separadas e, voilà!, viram um molho bacana ou uma carne gostosa. Minha mãe começou a me ensinar o trivial variado de forno & fogão quando eu tinha 17. Achei que nunca ia conseguir me lembrar se devia pôr a cebola, o óleo ou o arroz primeiro na panela – como sempre acontece quando adentramos uma ciência nova do zero e temos a nítida impressão de que tudo é muito complicado e nunca vai dar certo. Isso vale para ocasiões das mais diversas, de aprender a andar de bicicleta a operar um programa de computador. Mas como sempre, também, a prática leva à perfeição – ou quase isso. Queimei muito fundo de comida e às vezes ainda erro o ponto de algumas iguarias. Por isso, continuo praticando. Ainda me embanano bastante se vou cozinhar na casa de outrem. Sabe aquela história de só saber fazer o café com os seus apetrechos, pois você já tem as marcas de açúcar, café e água naquela exata panela, de memória? Então, é verdade. Até porque, como minha mãe e minha avó, só meço os ingredientes a olho. Essa é uma herança das cozinheiras da família – um tanto poética, mas deveras incômoda às vezes. Isso porque, como disse, manjo do riscado básico desde os 17, mas só comecei a fazer algumas exclusividades da minha mãe quando me mudei. Daí, quando bateu vontade de comer panqueca, liguei para a incansável fada, que me disse: “ah, põe assim, um ovo, um pouco de leite e vai acrescentando farinha até dar o ponto”. Mas pouco quanto, mulher de Deus? E quando diabos é o ponto? É algo místico? Vai brilhar quando for a hora? Sai bolhinha? E agora? O resultado é que ainda não sai igual à da mamãe, mas eu chego lá. Aliás, meu sonho de mestre-cuca é chegar lá – na habilidade da dona Sandra com panelas, especiarias e experiências. Como todo mundo, acho minha mãe a melhor cozinheira do planeta – seguida de perto por minha avó, a Nina. Quando ainda estava boa dos parafusos, a Nina deixava qualquer um no chinelo. Para se ter uma idéia, ela fazia macarrão e vinho em casa. Pão, torta, biscoitinhos, pizzas – tudo. Era uma coisa linda de se ver, ela abrindo massa com o tradicionalíssimo pau-de-macarrão. Parecia fácil – e não era. Parecia delicioso – e, isso sim, era. Também, pudera. Ela começou a cozinhar com sete anos, contava para mim. As tias que a ensinaram botavam um banquinho na frente do fogão para que ela alcançasse a lida com as panelas. A italianada somava umas dez famílias aparentadas (imagina o volume das conversas) morando na mesma fazenda. Haja vinho. E macarrão. Atualmente, me viro muito bem na cozinha. Entre meus pratos favoritos (de fazer e de comer) estão a sopa de capeletti, a lasanha e o suflê de couve-flor. Mas ainda hei de inventar muita moda. E se um dia chegar a fazer macarrão caseiro (ou vinho), dou-me por satisfeita.
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