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Quem poderá nos defender? A resposta a essa pergunta está nas mãos de um super-herói – que de “super” e “herói” não tem nada. Ele é baixinho, mirrado e possui parcos poderes. Ele é confuso, medroso e mais atrapalha do que ajuda. Ele não usa imponentes uniformes ou capas voadoras, e sim um par de ridículas antenas. Ele não nasceu na terra do tio Sam, como 99,99% dos salvadores da humanidade, mas no México. Ele é nosso querido e único... Chapolim Colorado! Vou confessar uma coisa: por mais que eu goste do Chaves, era nos episódios do Chapolim que eu caía do sofá de tanto da risada. Cada programa conseguiu ser melhor que o outro, além de ultrapassar a barreira do nonsense – o vermelhinho já se materializou tanto na época do Renascimento quando no espaço. Sem mencionar, claro, os indescritíveis efeitos especiais que parecem ter sido feitos no fundo do quintal da Televisa. Mambembe em sua mais perfeita tradução. Chapolim chega quando alguma alma aflita profere a frase do título. É a senha para o herói aparecer do nada e começar a sua missão – que está mais para fazer os inimigos rirem do que salvar os necessitados. Mas o personagem não é tão desprevenido assim: suas antenas de vinil captam o menor dos movimentos; sua marreta biônica acaba com qualquer oponente; suas pílulas de nanicolina possibilitam que ele passe por buracos de fechadura e frestas de janela; sua corneta paralisa todos que a escutam; seu conhecimento o faz conversar em vários idiomas. Mesmo com todo esse arsenal (ou, talvez, por causa dele), o desempenho do vermelhinho sempre deixa a desejar – mas nunca no quesito de comédia. Enquanto o herói tenta resolver o dilema da vez, o cenário ajuda a situar o telespectador: florestas de plástico, cadeiras de isopor, cavernas de papel, bichos empalhados e armas de brinquedo. Um teatrinho de escola em rede nacional! Tem como ficar melhor? Tem. Além de ser uma negação para salvador, Chapolim ainda não demonstra muita criatividade na hora de abrir a boca. Para o nosso deleite, o personagem tem frases carimbadas que ficaram célebres: “Não contavam com a minha astúcia” é a mais famosa. Na mesma leva, as inesquecíveis “Não priemos cânico”, “Se aproveitam da minha nobreza”, “Sigam-me os bons” e, lógico, “Suspeitei desde o princípio”. Ficou com saudade, né? Então vou lembrar de cinco episódios clássicos do Chapolim Colorado que são meus favoritos. Se um dia lançarem DVDs contendo qualquer uma dessas pérolas, compro dois de cada – um para guardar, outro para assistir até ficar com câimbra no maxilar de tanto dar risada. 1) O Alma Negra 2) O bebê Jupiteriano 3) A picada de cobra 4) A história de Cleópatra 5) As venusianas
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