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Em bando Eu fico bem sozinha. Sempre fui alvo de desconfiança por isso, mas é a verdade: uma vez sem companhia, posso ficar feliz, arranjando coisas a fazer sem muito esforço. Leio na rede, bato um bolo, assisto um filme, arrumo os livros, fuço em pilhas de fotos antigas, durmo… Eu fico muito, muito bem sozinha. Mas talvez fique ainda melhor da outra maneira. Como diria aquele poeta, "quem tem amigos nunca está sozinho". Tá bom, quem disse foi o Menudo na melação "Quero Ser"… Mas os guapos de Porto Rico estavam certos. Acho que ter namorado é ótimo e perfeito para fazer o coração se sentir seguro e cuidado. Ter amigos, porém, pode completar todo o setor "Diversão" de uma vida. Haja vista minhas reuniões. Tenho grupos os mais variados pra contar. Com mais quatro moças que trabalharam comigo em uma revista de culinária, vou jantar uma vez por mês. Contamos as fofocas dos conhecidos em comum, reclamamos dos novos empregos, rimos até doer a maçã do rosto por causa de qualquer besteira. E depois pedimos uma sobremesa gigante pra dividir em cinco. Sempre que vejo essas peças, volto pra casa acreditando que garotas com mais de 30 anos não precisam ser criaturas afetadas, fresquinhas. Podem ser hilárias, isso sim! Além delas, tenho também a turma da revista de automóveis. Foi-se o tempo em que vivíamos na redação, tocando a maior publicação do país sobre carros – e contabilizando 33 pirados no mesmo escritório. Ali, contumava-se dizer: "se cercar, vira hospício; se cobrir, vira circo; e se fotografar, é anúncio da Benneton". Nunca foi tão legal sair de casa para trabalhar. Mas hoje nos limitamos a encher a cara e festejar em feijoadas marcadas periodicamente em casas alternadas. Há cerca de dois anos, eu, Vivi, Clara e mais uma colega tínhamos outro bando. Em geral, marcávamos jantar num restaurante de shopping, ríamos lembrando cada passagem de "Monty Python em Busca do Cálice Sagrado" e tínhamos surtos de gargalhadas repassando cada frase anormal proferida pelo antigo chefe que nos demitiu. Bom, esse grupo vocês sabem o que virou – mesmo tendo descontado uma garota no meio do percurso… Ontem mesmo, descobri ter mais um grupo de amigões. Fomos assistir jogo de futebol americano (sim, eu gosto, não me chutem…) na casa de um grande camarada, o Paulo. Lá, a dinâmica acontece ao redor da mesa de salgadinhos, com cada integrante esparramado pelo chão e pelo sofá do rapaz sem sombra de cerimônia. Tem coisa melhor do que se sentir em casa na casa dos outros? Pior que tem. O melhor de formar bandos de amigos é ver como cada indivíduo se entrega à diversão. Sábado, o Garotas comprovou ter mais uma benfeitoria registrada no currículo. Enquanto a gloriosa banda "Quase Nada" se apresentava no palco de um bar, dezenas de meninas e rapazes prestigiavam o feito de um amigo-vocalista-showman-e-membro-do-fórum. Sim, toda essa gente se conheceu pela internet e hoje marca encontros pela cidade de São Paulo, reforçando a amizade. Eu fico impressionada, porque são todos muito diferentes entre si e, ao mesmo tempo, capazes de criar laços estreitos e trocar risadas por horas. Tem uma mocinha muito tímida que quase já não é mais, tem um rapaz hiperativo adora inventar moda pra juntar os companheiros (seja festejando ou dando o sangue). Tem uma anjinha equatoriana que aloja os recém-conhecidos em sua própria casa. Tem uma garota que traz seu sorriso encantador de longe, tem mocinho que traz isso e mais um saco de chocolates deliciosos de muuuuuuuito longe. Tem aquele menino adorável que dá o espetáculo no palco do bar e tem aquele outro que larga seu próprio bar espetacular para reunir com o novo bando. Assim é que o mundo deveria ser: gente diferente encontrando coisas em comum e se divertindo loucamente. Eu fico orgulhosa e chocada por ter a sorte de participar, sabem? E descubro que fico mesmo muito bem sozinha. Mas fico muito melhor entre o bando. |
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