sexta-feira, 10 de setembro de 2004

Sobre habitantes do mundo

"Um dia é preciso soltar as amarras e, de algum modo, partir". A frase, bonita de causar lágrimas e muito verdadeira, é autoria do navegador, malucão e meu ex-ídolo Amyr Klink. Perito em cair no mundo para viagens fantásticas – às vezes sozinho, às vezes acompanhado por focas –, o rapaz pode ser acusado de ter várias particularidades esquisitonas. Mas quanto a uma, temos que concordar: haja espírito forte para deixar tudo para trás, do travesseiro aos amigos, e sair por aí vivendo…

O texto de hoje é uma ode aos viajantes, este pessoal de brio! À Raquel, minha irmã-quase-gêmea, a quem admiro demais não só por ter decidido ir trabalhar lááá na terra do Tio Sam, mas numa porção dela que fica gelada oito meses por ano. Ao Tércio, que hoje mora na mais charmosa das cidades européias, Londres, e não perde o humor mesmo lavando pratos para patrões asquerosos. À Taís, antiga companheira de apê, que também foi viver entre os súditos da Rainha – e, tenho certeza, vai ficar ainda mais figura do que já é.

Também é uma homenagem aos que marcaram dia para voltar. Como o meu irmão, que faz as malas ao menos uma vez por mês para ir trabalhar mundo afora – e larga duas crianças adoráveis para trás com dor no coração. E, mais que todos, para a Vivi, que amanhã terá a pachorra de começar mais uma road trip muito louca da pesada!

Viajar rende muitas idéias, faz a cabeça trabalhar e se expandir. Mas, acima de tudo, acho que nos faz bem porque proporciona o conhecimento de outros estilos de vida, outros tipos de cultura. Experiências em viagem, podem ser boas ou más, me fazem aprender muito. E desmistificar algumas bobagens que sempre ouvi.

Posso detonar coisas que escuto vez por outra mas são mentira deslavada?

Italianos não são grossos
Eles falam alto mesmo – e nunca se sabe se estão brigando ou trocando cumprimentos felizes. Mas isso não pode ser confundido com rudeza. Basta abrir meio sorriso, dizer um "obrigado" e ver os carcamanos se dobrarem em gentileza.

Cariocas não são irritantes
O resto do país tem mania de dizer que o povo do sol-e-mar tem sotaque exagerado e gosta de tirar sarro a troco de nada. São, na verdade, muito bem humorados e capazes de fazer um estranho se sentir bem entre eles em questão de quatro minutos.

Franceses não são mal-humorados
Estive lá mais de uma vez e nunca, nunquinha, recebi invertida daquela gente elegante. Dica: eles amam quando abordamos usando qualquer – reitero: qualquer – palavra ou frase em francês. Um mísero "merci" abre portas que é uma beleza.

Ingleses não são frios
Parece que estas besteiras se espalham como formiga em piquenique. Ingleses são pessoas divertidíssimas, sempre prontos a relaxar com eles próprios e seu modo de viver tão peculiar. Depois de uma cerveja, já estão se convidando para visitar sua casa.

Paulistas não são viciados em trabalho
De tanto observar meus amigos, posso dar a estatística precisa: 80% de quem mora em São Paulo chutaria a bunda do chefe HOJE e iria viver no Nordeste. Passamos um pouquinho de tempo a mais no escritório, apenas porque… não temos praia, diabo…

Norte-americanos não são alienados
Tudo bem, aqui fica difícil derrubar a velha marca registrada - e parte deles vota em Bush, o que não conta a favor. Acredito, porém, que muitos importam-se com o resto do mundo e são loucos para conhecer outras culturas. Na Califórnia, por exemplo, é possível conhecer milhares de americanos encantadores. E eu não estou falando do Brandon. Nem do Schwarzenegger, óbvio!

Argentinos não são encarnações do demo
Quando se trata dos hermanos, eu viro uma defensora pronta a levar pedradas na cachola. Mas sou capaz de jurar: o fanatismo futebolístico não deve nos impedir de ver como o povo argentino é batalhador, corajoso e muito gentil. Lembre-se: Buenos Aires não é a Argentina toda! Lá existe mesmo gente mais fechadona, mas generalizar não leva a nada. Vivi passará pelos pampas nos próximos 30 dias e nos dirá o que achou. Droga, agora lembrei que ela se vai por um mês todinho! Volta logo, amiga? Até o malucão Amyr Klink sempre volta…

Fla Wonka às 03:16 PM

Envie esta página a um amigo



No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold