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Eu ri (à beça) em Ouro Preto... ... e adjacências Nem só de passar medo vive uma escriba magrela como eu, ao visitar cidades históricas brasileiras. Como não poderia deixar de ser, o feriado prolongado rendeu também gargalhadas à vera – como diria a Mãe Loura do Funk. Primeiramente, como todo bom viajante inexperiente, pedimos um bocado de informações para os transeuntes. E demos azar: acho que todos tinham a mesma noção de direção que eu tenho, facilmente classificável como... xexelenta. Não teve um – repito: um sequer! – que acertou os conceitos de direita e esquerda. Assim, aprendemos a nos guiar pelo apontamento gestual do informante, e não pelas palavras. Porque todos apontavam para a direita e diziam “pega ali, à esquerda”, ou vice-versa. Também descobrimos que os mineiros dessas cidades têm um ritmo de vida assim, digamos, diametralmente oposto ao de São Paulo. É normal esperar bastante pela comida, fato agravado pela lotação da cidade no feriado. Isso porque as refeições são literalmente fresquinhas – ao ponto de, em Mariana, termos pedido couve e a dona do restaurante dizer: “peraí que eu vou ali na horta pegar”, passando por nós toda serelepe, com um punhado de folhas recém-colhidas na mão, minutos depois. No circuito histórico, sinalização de lombadas é uma coisa que, como diria nosso caro Quevedo, no equi-siste. Pobre da moringa comprada em Tiradentes, que agüentou firme e forte todos os trancos levados no porta-mala por conta disso. Em compensação, coisas estranhíssimas tomam lugar nessas cidades, como um motel chamado “Ô CQSAB” (levei alguns minutos para entender que não era uma sigla) e um candidato a vereador conhecido por “Zé Ruela” (será que lá a expressão tem o mesmo sentido que aqui?). Mas no quesito “acontecimentos bizarros”, fora o encontro com a família completa da Mirtes (ocasião com tanto assunto que fica para outro dia, se assim vocês quiserem), o campeão foi o relacionado a um padre de nome estranhíssimo. Na maratona de visitas às igrejas, topamos com uma onde se realizava um casamento. A noiva estava bem à porta, esperando para fazer sua entrada triunfal. Namorido e eu ficamos, portanto, esperando ali fora. Depois que a moçoila adentrou, corri para dar uma espiadela no templo. Eis que, então, um senhor se aproxima do meu digníssimo (que estava trajado como um típico turista, com câmera na mão e tudo), olha para o padre (visível lá longe, no altar, pela porta ainda aberta), e saca da pergunta: “Viu... esse aí é o padre Marreco?” Num átimo, o rapaz para quem eu disse sim calculou os riscos, não quis desapontar o velhinho e decidiu-se pela resposta: |
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