segunda-feira, 30 de agosto de 2004

Eu queria ser

Nunca sonhei, quando pequena, ser jornalista. E olha que eu sonhava bastante durante aqueles doiros anos. Se forçar um pouquinho a memória, sei que serei capaz de me lembrar de tudo que eu já quis ser. E de como vim parar nessa profissão.

A primeira profissão que eu quis adotar foi a de arqueóloga. Culpa dos filmes do Indiana Jones, pioneiros a rodar naquele videocassete tosco que tinha em casa no meio dos 80. Depois, tanta brincadeira de escolinha na rua me levaram à conclusão óbvia: seguir a carreira do Magistério. Olha que prossegui bastante nessa hipótese: formei-me no colegial técnico e dei aulas por uns dois anos. Às vezes sinto saudades.

Da primeira vez que pensei em ser professora até a matrícula na turma magisterial, outras opções rolaram. Quis ser astronauta ou astrônoma. Quis ser escritora. Quis ser caixa de supermercado. Ok, essa última possibilidade nunca me passou pela cabeça. Mas as outras, sim. Eu ficava fazendo desenhos que me retratavam em casa uma dessas profissões. Legal, né?

Com o fim da adolescência, tive de escolher o que fazer da vida. E o que fazer da vida envolve muita coisa. Um plano de sustento, inclusive. Acho uma crueldade fazer gente com 17 anos tomar uma decisão dessas. Não fui forçada nem nada: assinalei Jornalismo nas inscrições para o vestibular porque achei que seria uma boa escolha para as gentes que gostam de escrever, como eu. Me enganei, embora o resultado nem tenha sido tão desastroso assim.

Mas nem sempre pensei em profissões de “nível superior”, dessas que a gente tem de passar quatro anos pagando para poder brincar também. Dentre as profissões low profile que já sonhei exercer está, por exemplo, a de vendedora de banca de jornal. O motivo salta aos olhos: eu poderia ler TODAS as publicações de graça. Eu amo bancas de jornal. Sou capaz de passar horas dentro daquelas enormes, que têm até DVDs à venda. Logo, passar o dia todo numa delas só podia ser bom negócio!

Balconista de livraria também já passou pela minha cabeça – pelo mesmo motivo. Na verdade, quando eu era menor, queria que a profissão do meu pai fosse “dono de livraria” ou “dono de banca de jornal”. Mas ele era “gerente de RH” (até hoje não sei explicar exatamente o que ele fazia).

Acho que eu também me viraria bem atendendo no balcão de uma bomboniere. Nos indefiníveis anos da pré-adolescência, juntava todo meu dinheirinho – recebido à guisa de mesada e às custas do exercício da gerência de RH por meu pai – para ter fim em duas caixas registradoras: a da loja de doces e a da banca de jornal. Talvez por isso vivesse sonhando em ter acesso às pequenas maravilhas vendidas em ambos os lugares sem gastar – pelo contrário, recebendo por isso.

Por fim, minha mais sonhada profissão low profile já foi exercida por alguém que se deu bem, muito bem. Eu sempre acalentei o sonho de virar balconista de locadora. A razão é quase a mesma dos outros empregos: acesso gratuito a quilos e quilos de filmes, sem um tostão em troca. Seria paga para passar o dia assistindo a vídeos! E, eventualmente, indicar uns títulos para os clientes.

Parece ótimo – como parecia a Quentin Tarantino. Mas ficar atrás do balcão da locadora não foi o suficiente para ele: o rapaz, de tanto ver filmes, virou um poço de referências pop e resolveu fazer parte dos créditos. Filmou “Cães de Aluguel”, “Pulp Fiction”, “Jackie Brown” e, agora, “Kill Bill”. Viu? Mesmo as profissões menos valorizadas podem render bons frutos. Agora com licença, que vou ali na avenida ver se a locadora está precisando de gente.



quentin arma.jpg
Da prateleira ao posto de cineasta cultuado...
Nada mal, hã?

* * * * * *

Ela não se encontra, pode estar adiantando o assunto?

Vamos estar relembrando as férias de Vivi, última mocinha deste trio a estar saindo de folga por uma semana. A ruiva vai estar descansando até sexta-feira (dia 3/9); depois do feriado de 7 de Setembro, logo no dia 8, este trio vai estar voltando com força total. E sem problemas de abuso do gerúndio, vou estar prometendo...


Clara McFly às 05:58 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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