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De pernas pro ar Tem coisa melhor que férias? Todo mundo em uníssono agora: não! Nada como alguns dias de folga cuja ordem é não fazer nada – ou fazer tudo o que der na cabeça. O bom de férias é exatamente isso: mesmo quando é mal-aproveitado, mesmo quando você passa o tempo nhanholando na frente da televisão, o período vale a pena. Infelizmente para os adultos, as férias mudam. Ou, na pior das hipóteses, nem existem. Quantos de nós tivemos de implorar ao chefe por uma mísera semaninha longe do escritório? Ou suar a camisa para adiantar trabalho, tudo em nome de uma emenda de feriado? Sem contar a longa espera de um ano por míseros 20 dias – isso quando não são dois anos, três, quatro... Já reparou que o tempo passa muito mais rápido com responsabilidades nas costas? Então concluímos que, como em tantas outras coisas, férias eram melhores quando a gente era criança. E não é uma questão apenas de saudosismo gratuito: é matemática pura! Na escola, tínhamos as férias de julho, que começavam no finzinho de junho e iam até o comecinho de agosto. Para quem era bom aluno e não pegava aulas de reforço, a farra de verão começava lá pelo meio de novembro e só terminava em fevereiro. Faça as contas por aí, porque se eu parar para pensar, choro. Da primeira série do ensino fundamental à terceira série do ensino médio, temos mais ou menos 11 anos passados na escola. Onze anos sendo mal-acostumados a longos períodos de diversão pura. Na faculdade, a conta perde alguns dias, mas ainda temos férias generosas. Saindo de lá... Chega a hora de cair na real: o mundo é cruel com os adultos. De cigarras boêmias, passamos a formigas trabalhadoras. Aliás, não sei quem foi o mané que botou preguiça entre os sete pecados capitais – aposto que era chefe. Quisera eu voltar no tempo e ter de novo pelo menos um dia das férias que tinha quando criança. Eu saberia aproveitar todas as 24 horas! Acompanhe: 1) Acordaria às 11h da manhã, horário que deveria ser universal para seres-humanos saírem da cama. 2) Pegaria minha tigela de farinha láctea e comeria tudo com muita calma enquanto assisto à tevê. 3) Após a refeição calórica (sou criança, quem se importa?), pensaria se deveria tirar o pijama ou continuar nhanholando. 4) Meia hora depois, tomaria minha decisão: colocar uma roupa qualquer e ir brincar na rua. 5) Depois do almoço, tiraria uma soneca (comer e brincar são atividades muito cansativas). 6) De volta à rua, passaria na padoca para comprar alguns picolés. 7) Em seguida, encararia um difícil dilema: será que eu ando de bicicleta ou de patins? 8) Cansaria de pensar e resolveria alugar 10 fitas de vídeo – entre comédia, aventura e terror. 9) Em casa, pegaria um livro para ler (por diversão). Melhor ainda: um Almanacão de Férias da Turma da Mônica! 10) Depois de tomar banho, retomaria a montagem do quebra-cabeças de mil peças; ou montaria algo em Lego até a hora de dormir. Parece bom, não?
Tá certo, será apenas uma semana (olha aí minha teoria!). Mas ainda assim, vai valer. A partir de hoje é a minha vez de tirar uma folga. Na segunda, Flá volta e Clarinha continua. E, a partir de 08 de setembro, estaremos as três batendo ponto aqui. É duro ter milhares de chefes aí do outro lado, viu! Vivi Griswold às 11:39 AM |
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