quinta-feira, 26 de agosto de 2004

Psycho killer, qu'est-ce que c'est?

Para o Capital Inicial, um sintoma indiscutível de psicopatia seria atirar na TV quando o Francisco Cuoco aparece. Bem, o cinema discorda. Para o mundo da telona, um psicopata precisa fazer mais, melhor e, acima de tudo, mais sangrento que isso.

Quando adentro a sala de cinema e deixo chorados e absurdos 14 mangos lá fora, quero que meu dinheiro tenha sido bem empregado. Para tanto, até me disponho a colaborar com o filme: passo medo, assusto, rio, choro e bato palmas na cena do beijo – para vexame completo do namorido, que quer se enfiar dentro do balde de pipoca nessa hora. Mas já que gastei, minha filosofia é curtir.

Por isso – e porque sou boba também – costumo cair nos truques mais baixos do cinema. Em especial, do gênero filme-de-maluquete-assassino. Dou uma faca para entrar e um machado para não sair das tais sessões, seja no sofá de casa ou na sala de projeção – embora fosse ainda capaz de pagar uma serra-elétrica para não topar com uma dessas figuras aí debaixo.

7. Jason Voorhees
Ele surgiu no primeiro “Sexta Feira 13”, em 1978 – mas como um pobre garotinho que se afogou. Depois, sua sanha assassina prolongou-se por outros dez filmes. O legal é que Jason vai ficando cada vez mais bombado em seu corpo post mortem – e não há sustagen que explique o crescimento do monstro!

6. Freddy Krueger
“A Hora do Pesadelo”, de 1984, introduziu a criatura com cara de maracujá seco, camisa do Flamengo, chapéu de aposentado e luvas de lâminas. Agora eu posso rir, mas morri de medo dele por um bom tempo. Como na maioria das produções do gênero, o primeiro filme é ótimo – e as seqüências, constrangedoras.

5. Michael Myers
Não confunda com Mike Myers, o simpático Austin Powers. (Ainda me pergunto por que um ator adota o nome de um psicopata). Em “Halloween” (1978), Michael começa cedo: mata a irmã quando contava tenros seis aninhos. E não dá folga para Jamie Lee Curtis. É mal de família: a mãe dela, Janet Leigh, já sofrera nas mãos de Norman 18 anos antes.

4. Norman Bates
Diz Janet Leigh que nunca mais tomou banho de chuveiro depois de fazer a famosa cena em “Psicose” (1960). Espero que a casa dela tenha banheira... Enfim. Não é da nossa conta. O fato é que Norman Bates era dominado pela mãe – e o olhar de Anthony Perkins convenceu tanto que, se eu cruzasse com ele na rua, mudava de calçada.

3. Hannibal Lecter
Charmoso, culto, fino e… canibal. O psiquiatra que não bate muito bem da cachola veio à tela pela primeira vez na pele de Brian Cox, em “Dragão Vermelho” (1986). Depois, Anthony Hopkins assumiu o papel para “O Silêncio dos Inocentes” (1991), “Hannibal” (2001) e “Dragão Vermelho” (2002). Espero nunca estar no campo de visão desse homem junto a um bom chianti...

2. Jack Torrance
Ele sempre foi o zelador do Hotel Overlook. O isolamento, a neve e muito siso e pouco riso fizeram de Jack um assassino completamente desvairado, a fim de caçar sua mulher e seu filho. Tá certo que ela era uma chata e o moleque, no mínimo estranho, com aquela história de conversar com o próprio dedo. Mas não precisava correr atrás deles com um machado.

1. Paul Kersey
Ele era um pacato arquiteto nova-iorquino, até que sua família foi vitimada pela violência. Bastou um pulo até o Arizona para que Paul voltasse transformado – e armado. Pra valer. Depois disso, que aconteceu no primeiro “Desejo de Matar” (1974), ele nunca mais parou de executar bandidos sumariamente – mesmo os pés-de-chinelo. Aparentemente, arquitetos têm ótima pontaria. É ou não é o maior de todos?

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Quando aparece o Charles Bronson, adeus televisão!


Clara McFly às 06:26 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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