Daqui a quatro dias, termina a sensacional Olimpíada de Atenas. Vamos nos ver livres do Datena e do Galvão – pelo menos no que diz respeito às transmissões olímpicas – e do povo da imprensa que fica cobrando os atletas feito o Mutley, repetindo obsessiva e infinitamente “medalha, medalha, medalha!”. Acompanhei o quanto pude desses jogos – e nisso percebi que não entendo lhufas dalgumas questões relativas aos esportes apresentados por lá.
Preciso confessar que caio no espírito olímpico. A abertura pode ser chata para dedéu, mas eu sempre me emociono. Os valores fundamentados ali, da união entre todos os povos do mundo, são esquecidos assim que a cerimônia de encerramento toma lugar, mas adoro ver aquela profusão de gentes e cores. Ainda assim, tenho muitas dúvidas sobre certas modalidades. Será que sou só eu?
1. Fossa olímpica
As competições de tiro são disputadas numa tal fossa. O que diabos é isso? Será uma espécie de trincheira, de onde o povo sai atirando? Soa perigoso. Além do mais, é engraçado ouvir que fulano foi campeão na fossa olímpica. Parece que ele está triste à beça.
Botando a cachola (e a pesquisa) para funcionar: A fossa é, na verdade, uma modalidade de tiro onde os pratos podem ser lançados de três pontos diferentes.
2. Vôlei de praia
As regras são simples e o jogo, conhecido. Mas o problema é que países que não têm saída para o mar também participam! Como a Suíça e a República Tcheca, que nem sequer têm praia, podem ter uma dupla na competição? E, no primeiro caso, ainda pegar terceiro lugar?!
Botando a cachola (e a pesquisa) para funcionar: Acho que vale praia artificial...
3. Vela
É tudo muito confuso. Primeiro, são intermináveis classes: tem laser, mistral (que para mim podia chamar windsurf), yngling (não, não é erro de digitação) e o indecifrável 49er. Depois, quando a TV exibe panorâmicas das competições, cada barquinho está apontado para uma direção diferente! Afinal, onde eles têm que chegar?
Botando a cachola (e a pesquisa) para funcionar: Trocando em miúdos, a idéia é fazer um percurso com pontos determinados, aproveitando o vento da melhor maneira possível.
4. Ginástica artística
Fora as perguntas óbvias, do tipo “como diabos essas meninas conseguem saltar tão alto descalças?”, os termos que denominam os saltos enchem de estranhamento minha mente vã e pueril. Que raio é um duplo twist? E, ainda por cima, carpado?
Botando a cachola (e a pesquisa) para funcionar: “Carpada” define a posição de um salto feito com as pernas dobradas, em ângulo com o tronco.
5. Marcha atlética
Esse estranho esporte exige que um dos pés do atleta esteja sempre no chão. Por isso eles correm estranho, feito galinhas ciscando. Ou feito gente que quer fugir de um cachorro, mas sem correr, manja? Deve ser difícil para cará. E como os juízes fiscalizam tantas perninhas juntas?
Botando a cachola (e a pesquisa) para funcionar: Cheguei à conclusão que é fácil dar gato, pelo menos na saída, quando todo mundo está embolado.
6. Nado sincronizado
As apresentações são lindas - e engraçadíssimas. Primeiro, as duplas têm de fazer uma firula antes de cair na água. Depois, elas emergem da piscina igual às Garotas do Fantástico, de olho aberto! E como elas acompanham o ritmo debaixo d’água?
Botando a cachola (e a pesquisa) para funcionar: Há alto-falantes especiais submersos para as mocinhas não perderem o tom.
7. Modalidades bizarras
Hóquei na grama e softbol fazem parte do cardápio olímpico, embora não tenham repercussão muito grande pelo mundo. Mas o pior mesmo é o badminton. Deve ser difícil mas, por Deus, é um jogo de peteca! Se isso está nas Olimpíadas, War, bilboquê e dança de salão também merecem seu lugar ao sol.
Botando a cachola (e a pesquisa) para funcionar: Continuo sem saber por que as três competições que sugeri acima não são esporte olímpico e o badminton é.
8. Salto triplo
Na prova disputada pelo Jadel Gregório, um estadunidense queimou a marca do salto duas vezes seguidas. Furioso com os juízes e achando que não tinha pisado na linha, ele interditou a prova, se negou a sair do caminho, agachou e ficou tocando num cone ali na pista. Aparentemente, o cone é piques!
Botando a cachola (e a pesquisa) para funcionar: O cone é retirado pelo juiz para que o competidor seguinte faça o salto. Mesmo assim, o infiel podia ter apenas ficado ali em pé, não?
9. Judô
A filosofia é interessante. Socos e pontapés não valem aqui: o lance é imobilizar seu adversário. Mas o sistema de pontuação me deixa maluca: tem ippon (espécie de nocaute), waza-ari, koka e yuko. É coisa demais – e eu nunca sei qual é qual.
Botando a cachola (e a pesquisa) para funcionar: O koka é a menor unidade de pontuação; o yuko é uma pontuação intermediária; o waza-ari é meio ippon e o ippon... ih, ficou confuso de novo.
10. Maratona
Eu disse e repito: não é possível alguém correr mais de 42 quilômetros. Simplesmente não dá. Eu dirigia essa distância para ir e voltar do trabalho e de carro já cansava. Imagina correndo! A própria história do soldado que correu 40 quilômetros para avisar da vitória ateniense numa batalha – e deu origem à modalidade – já avisa: o infeliz morreu depois de cumprir a peripécia!
Botando a cachola (e a pesquisa) para funcionar: Só vou acreditar na existência da maratona quando puder acompanhar – de moto, claro – um atleta do início ao fim. Até lá, continuo achando que é tudo truque de câmera.

Ó no que dá correr 42 quilômetros!