sexta-feira, 20 de agosto de 2004

Marcas do destino

Esse título ficou mais para novela do SBT com Patrícia de Sabrit no papel de sofredora principal, não? Mas é muito propício ao assunto que eu quero discutir hoje: cicatrizes. Aqueles sinais chatos que temos de suportar para sempre – mas que, por outro lado, nos fazem lembrar de tempos passados. Cada uma delas é uma marca indelével do que já passamos nessa vida.

Ando pensando muito nessa história de sinais pelo corpo, ainda mais na véspera de... encarar minha primeira tatuagem! Sim, será amanhã. Estou com frio na barriga, porém 100% certa de que tomei uma decisão consciente e que vem sendo pensada há mais de um ano. Nunca faria algo do gênero por impulso, exatamente pelo medo daquilo não sair mais. A tal palavra, permanente, assunta muito.

Mas eu não pedi para ter todas as minhas cicatrizes, certo? Nem escolhi o melhor momento e o melhor local para elas se instalarem em mim. E, ainda por cima, elas me acompanharão no resto dos meus dias. Pelo menos, tatuagem é feita a partir da vontade da pessoa e, se for planejada com cuidado, certamente significará algo mais profundo do que um simples desenhinho que não sai com sabão.

O irônico é que eu gosto das cicatrizes. Apesar de terem sido feitas em momentos dolorosos, cada uma delas guarda uma história divertida por trás. Quer ver?

Marca de arranhão, no braço direito

Em casa cheia de gatos, é difícil não sofrer uma arranhada de tempos em tempos. Não que eles façam de propósito, até porque eu nunca conheci bichanos mais calmos e carinhosos do que os meus pimpolhos. Tem dias, porém, que aquela unha está mais afiada do que espinho de roseira, e aí já viu... Qualquer brincadeira pode suscitar uma marquinha aqui e acolá. Todas saíram, menos uma. E culpada é Alice, minha gata número seis.

Alice é uma gata Gollum. Apesar de adulta, ela tem tamanho e peso de filhote. Tem os maiores e mais redondos olhos que eu já vi no universo felino, e são clarinhos como limonada. Ela é linda – e tímida. Tão tímida que é como se não existisse. Passa os dias enfiada debaixo da colcha da cama da minha mãe. E eu, como Felícia que sou, adoro pegá-la e abraçá-la e beijá-la e amá-la... Em um desses ataques, a bichinha tentou escapar e... crau. Ok, essa eu pedi.

Marca de catapora, na barriga

Catapora foi a doença infantil mais legal que eu já tive. Porque quando a gente é criança, é bom ficar doente. Podemos faltar na escola, e a tia manda as tarefas para fazermos em casa. As coleguinhas ficam preocupadas e ligam sem parar. A mamãe é toda mimos, deixando até comer doce antes da refeição. Quando se é adulto, não tem nada disso. Quantas vezes fui dar plantão em redação com febre!

Voltando à catapora, eu achei o máximo ficar cheia de bolinhas vermelhas pelo corpo. O problema é que coçava como o diabo! Tentava me segurar, contava carneirinhos, ligava no Bozo, mas nada adiantava. Sempre que podia, metia a unha para aliviar – quando ninguém estivesse olhando, é claro. O resultado? Uma marquinha ao lado do umbigo.

Marca de ponto, no queixo

Ser filha única é chato. Pelo menos foi para mim, no período em que não tive irmãos mais novos para atazanar. Batia uma solidão danada naqueles dias em que não havia aula, estava chovendo e as amigas da rua estavam de castigo. O que eu fazia para espantar o mau humor? Inventava minhas próprias brincadeiras. A maioria delas, porém, não deu certo.

A pior idéia de jerico que tive foi patinar de meia no chão que minha mãe acabara de encerar. No começo foi divertido e, quando estava aprimorando minha técnica de patinadora indoors, pum, caí com tudo – em cima de um taco solto do assoalho. Meu queixo abriu de lado a lado. Meus pais correram comigo no pronto socorro e eu levei alguns pontos. Olha a prova aqui que não me deixa mentir!

Marca de vacina, no braço direito

Eu adorava dia de campanha de vacinação contra poliomielite, quando era a “gotinha que salva”. Eu pedia para a enfermeira pingar mais que o necessário, porque achava o gosto bom. Olha o que o Dip’n Lik faz com uma criança! Dá nisso... Porém, quando era vacina de injeção ou revólver eu esperneava, gritava e desmaiava de tanto medo.

Foi assim com todas as aplicações de que me lembro. Mas me esqueci – ou era muito pequena para me lembrar – da responsável pela marquinha que eu carrego no braço (e, provavelmente, você também). A tal da BCG, contra tuberculose, faz um estrago considerável na estética. Pelo menos a minha é pequenina – já vi gente com cicatrizes do tamanho de um fandangos.

bcg.gif
Perto disso, tattoo é pinto


* * * * * *

Nem doeu, né?

As férias de Clara estão chegando ao fim. Na próxima segunda, a loira volta com suas macaquices – e então será a vez da Flá pendurar o Kichute por uma semaninha. Então, pode marcar:

Flá: de 23 a 27 de agosto
Vivi: de 30 de agosto a 3 de setembro

A partir de 08 de setembro, voltamos as três com gás total.

Vivi Griswold às 11:54 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold