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| quinta-feira, 19 de agosto de 2004 |
Num futuro alternativo...
Sandy e Junior não são irmãos e estão prestes a definhar se não encontrarem água. O problema é que o líquido é artigo de luxo e vale muita grana. Por isso, mesmo que encontrem, serão perseguidos por terríveis vilões que irão torturá-los, talvez com a música “O que é iiiimortal... Não morre no final...”. Para alegria dos fãs e tristeza dos amantes da boa música, isso não passa de um filme. Uma ficção-científica-musical-romance, triste de tão ruim, que se passa no famigerado “futuro alternativo”.
Tá certo, todo futuro é alternativo. Ele ainda não aconteceu. Mas expliquem isso aos diretores e roteiristas. Acho que estes ainda não sabem disso. Um futuro só poderia ser alternativo, se já conhecêssemos seu passado. Tal qual foi feito com brilhantismo por Robert Zemeckis e Bob Gale em “De Volta Para o Futuro”. Marty McFly volta ao passado e, por ter interferido num simples acontecimento, ele próprio pode não existir no futuro – que, aí sim, seria alternativo, pois o fofo Marty já existe. Complicado, né? Claro, ficção tem que ser assim. Senão não tem graça.
Mas suponhamos que o DeLorean de Doc Brown existisse (uma máquina do tempo em minhas mãos? Oba!) e eu, sem querer, voltasse em alguns pontos do passado e mudasse algumas situações. O que aconteceria? Eu me arriscaria a citar algumas, mas só se vocês levarem na brincadeira. Afinal de contas, foi sem querer, eu me distraí, juro que não foi de propósito...
Caos musical
Tudo começou num dia em que Paul McCartney andava contente por Liverpool, procurando músicos para formar uma banda. De repente, parou para assistir “Os Quarterman”, banda de John Lennon. Eu estava lá também e, sem querer, pisei nos cabos e desliguei tudo. A banda parou e Paul foi embora. Não me dei conta do valor daquele acontecimento e também fui embora. O que ocorreu depois foi que, próximo dali, outra banda tocava e Paul achou o guitarrista que procurava para tocarem juntos – um tal de Keith Richards. Esse conhecia um baterista. Depois de um tempo, eles foram tocar na França, onde conheceram um certo Jim Morisson. Esse, descontente com as constantes brigas em sua atual banda, decidiu seguir com Paul e Keith. O primeiro disco saiu com as guitarras distorcidas, um baixo melódico, um vocal robusto e melancólico, mas com letras que mesclavam a simplicidade romântica com metáforas sexuais. Assim nascia um híbrido muito estranho e sem sucesso. Morriam: Os Beatles, Rolling Stones e The Doors. Ai!
Caos cinematográfico
Por volta de 1979, George Lucas e Steven Spielberg conversavam num bar em Los Angeles para decidir quem seria o ator para seu novo filme. Não resisti e fui pedir um autógrafo para os dois. Cumprimentei Lucas por “Star Wars” e Spielberg por “E.T”. Ele logo me avisou que aquele filme não era dele. Achei estranho e expliquei pra ver se lembrava. Não me atentei ao fato de que “E.T.” ainda não existia. O que aconteceu foi que ambos adoraram a idéia e transformaram Indiana Jones num ufólogo que rondava o mundo a procura de algum vestígio extraterrestre. Finalmente Indiana faz contato com um pequeno E.T. perdido na Terra. Eles ficam amigos, mas o esquisitinho quer voltar pra casa, e é impedido pelos nazistas que querem capturá-lo em busca de segredos espaciais. Detalhe: o papel de Indiana Jones fica mesmo com Tom Selleck.
Caos televisivo (mais ainda do que hoje...)
Silvio Santos já havia criado a TVS e precisava de mais uma pessoa que o ajudasse a apresentar tantos programas. Eu estava lá, disfarçada de garçonete da emissora, para ver o momento histórico em que Silvio fecha contrato com Augusto Liberato. Antes de acertar, Silvio saiu e Gugu aproveitou pra me pedir um lanche, pois estava morrendo de fome. Eu, sem a menor idéia de onde conseguir o quitute, saí rapidamente nas ruas da Vila Guilherme e comprei um belo grelhado de gato para o loirinho. Ele comeu, se deliciou e passou mal. Muito mal. Trancou-se por horas no banheiro e deixou Silvio falando sozinho. O Homem do Baú, enfurecido com o sumiço do rapaz, exigiu um substituto para Gugu. Naquele exato momento “o patrão” manda chamar outro radialista, um cara comunicativo. Dez minutos depois, Silvio Santos fechava contrato com Eli Correa, que apresentaria o “Viva a Noite”. Viva! Viva! Viva! Ou não?
Caos esportivo
Eu queria acompanhar o nascimento do Rei do Futebol. Mas me deparei com uma cena cruel: seu Dondinho tinha sido manando embora do atual emprego. Pensei então que um pai de família não poderia ficar sem trabalho e tratei de ajudá-lo a encontrar algo. Estava difícil. Resolvi caminhar por Três Corações e encontrei uma placa na feira próxima: “Necesitamos trabajadores”. Pronto! Conversei com o rapaz e disse que indicaria um operário. Seu Dondinho aceitou e logo mudou-se com a família toda. O que eu não sabia era que o emprego seria de carregador num sítio, mas na Argentina. E lá nasceu Pelê, um menino bom de bola que ganhou títulos e mais títulos pelo Boca Juniors e três Copas do Mundo para a seleção da Argentina. No final de carreira, passou tudo o que sabia para um outro garoto, um tal Maradona, que ganhou mais dois títulos mundiais para os hermanos. O Brasil? Bom, nada de títulos em 58 ou 70.
Alegria política
Na escola, o pequeno Malufinho já tentava convencer os amiguinhos que, se ele fosse do conselho de classe, mandaria fazer novas carteiras, lousa, cantina, quadra, etc. De tanto encher, os alunos votaram nele – e lá foi Paulinho conversar com a diretora. Disfarçada de secretaria de cursos de intercâmbio, ouvi a proposta: “aumentar a mensalidade dos outros alunos, colocar meia dúzia de carteiras novas e uns doces a mais na cantina, e ele receberia uma bolsa de 100%”. A escola lucraria e ele também teria bons benefícios. Rapidamente, entrei na sala da diretora e disse que precisaria de algum aluno voluntário, mas que fosse muito “inteligente e perspicaz”, para intercâmbio cultural em Vladivostock, lugar onde a carreira política podia começar aos 14 anos. A diretora olhou para Malufinho, que arregalou os olhos e disse: “levem-me para Vladivostock!”. Entramos no DeLorean e eu deixei o garoto em algum lugar próximo ao ano de 678 a.C... Pelo menos nessa, foi bola dentro, hein?
Fla Wonka às 05:13 PM
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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.

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