sexta-feira, 13 de agosto de 2004

Vai pegar, vai pegar... não pegou

Quando foi criado o conceito da televisão, seus inventores juraram: um dia, cada casa dos Estados Unidos teria um aparelho daquele. Erraram feio... Hoje, existe tv em quase toda residência do mundo! A dita cuja levou um bocadinho de tempo apenas para mostrar seus atrativos e conquistar a massa. Várias invenções foram felizes assim. Já algumas outras... Onde estávamos com a cabeça de apostar naquilo, hein?

Acontece sempre da mesma maneira: o produto é divulgado como a oitava maravilha da Terra, mas não confirma os bons resultados com o uso. Com o tempo, o público percebe que é enganação ou perda de tempo e dinheiro e pára de usar. Quem comprou, fica com cara de bobo e vira chacota na família. E lá vem o tio chato: “lembra do Zé, que comprou um walk-machine dizendo que ia trabalhar todo dia pilotando aquilo? Trouxa! Hahaha”. Quanta humilhação o consumismo já nos fez passar, não?

Eu lembro de algumas dessas “revoluções tecnológicas”. Recordo das que deram certo e, tanto quanto, das que naufragaram. Estas são as cinco que considero mais imbecis.

Alcance
Outro dia vi o anúncio de um nova escova dental com cerdas de borracha e altérrimo poder de limpeza. Não caio mais nessa, não! Quando lançaram a Alcance, era tudo o que nossos dentes precisavam: cabeça torta, grupos de cerdas menor e mais focado, cabo anatômico. Balela pura. O troço não eliminava a sujeira direito e ainda custava o dobro das outras. Hoje uso uma escova retinha e sem esse monte de frescura. O dentista foi quem recomendou a simplicidade. Onde ele estava no surgimento da Alcance, pô?

Orelhinha
Implorei para o meu pai dar um de presente no aniversário – e, ao menos naquela vez, a chantagem colou. Dizia o anúncio que walkman era coisa do passado e “o que ligava” era ter um Orelhinha. Os comandos ficavam no próprio fone de ouvido (gigante, como tudo criado na moda oitentista), eliminando o uso de fios. Em um mês, o aparelho virou pó. Era mal-feito como ele só e difícil de usar, porque não dava para sintonizar direito com o troço vestido na cachola. E então a humanidade voltou a se render ao bom, velho e simplório walkman. Que, inclusive, aceitava o uso das excepcionais fitas K7.

Kilométrica
Os camelôs larápios da Praça da Sé ainda têm para vender “canetas simpáticas por um preço milimétrico”. Mas os únicos que compram são contraventores a fim de dar golpe em cheque – aquele onde o sujeito escreve na folhinha bancária e os bandidos rasuram o valor. Que genial foi a invenção da caneta cuja tinta podia ser apagada, não? Mas ninguém imaginou que ia ser vetada nas escolas (porque o professor não queria ver gente refazendo as respostas do teste), nos bancos, cartórios e repartições em geral (porque podia-se alterar assinaturas e afins) e em todo local que necessitasse caneta definitiva? Ela era simpática, a Kilométrica, mas foi levada para o lado negro da força... O mundo não estava preparado para aquela maravilha.

Descascador de legumes
Dentre todos os eletrodomésticos estúpidos, esse foi certamente o maior. Olha que, lá em casa, qualquer coisa possível de ligar na tomada era comprada “por curiosidade”. Sim, meu pai é novidadeiro. Tivemos abridor de latas elétrico a centrífuga – e dezenas de outros aparelhos que só serviram para provar que a força humana é mais rápida, mais barata e menos passível de manutenção. O negócio, tão divulgado, podia tirar casca de frutas e legumes em segundos. A verdade: levava uma década para fazer o serviço, emperrava com possíveis falhas de superfície (e existe batata perfeita, saco?) e sua lâmina quebrava de olhar. Na terceira vez que voltou do conserto, foi aposentado lá na lavanderia.

Bip
Não sei porque o aviso do cinema ainda manda desligar “pager e celular”. Com o advento do telefone móvel, quem ainda usa aquele bip safado? Só médicos e operadores do serviço, que, suponho, tenham desconto para comprar o tal. O sistema foi febre por um curto período, quando e-mail ainda não era popular e o celular pesava igual a um tijolo baiano. Pior: era um saco ditar mensagens àquele povo para repassar ao usuário... Um dia pedi para escrever “Júlio, já peguei o freela” e eles enviaram “Túlio, já terminei a esfira”. Não é à toa que sumiu, o aparelho maldito.

Pager.gif Uau, olha que revolucionário!
Fla Wonka às 04:00 PM

Envie esta página a um amigo



No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold