|
||||||||||
|
||||||||||
In my dreams Imagine Clint Eastwood galopando num cavalo branco, por um descampado enorme, passando primeiro por um poço, depois uma casa e, por fim, um canteiro colorido. Atrás dele, correndo, vem uma garota a pé. Podia ser uma cena de qualquer um dos filmes do caubói-e-policial-durão-que-virou-diretor-sensível, até eu revelar que a garota em questão sou eu - e que Falco, o cachorrão d'"A História Sem Fim", vinha correndo atrás de mim. Bem-vindo ao mundo dos sonhos de Clara McFly. Desde pequena, minha cachola adora me pregar peças enquanto durmo. Uma vez, pela manhã, mamãe encontrou minha cama vazia. Pouco antes de surtar - e depois de procurar pela casa toda -, ela me encontrou dormindo embaixo da cama. Maldito cérebro! Me fez deitar naquele chão duro - provavelmente sonhando que eu estava dormindo no melhor dos colchões. Tenho algumas dificuldades - às vezes sérias - para pregar o olho, mas uma vez pregado, não páro de sonhar. Minhas incursões pelos domínios de Sandman são tão impressionantes que posso acordar chorando quando sonho algo ruim. Ainda bem que pesadelos me são raros, senão teria de trocar a fronha todo dia. Isso porque não derramo umas lagriminhas - choro mesmo, de acordar com o travesseiro encharcado. Também carrego impressões do sonho pelo dia todo. São sensações difíceis de descrever: às vezes acordo alegre; às vezes, apreensiva; às vezes, com saudades. Tudo por causa das experiências fantásticas que vivi… dormindo. Há ocasiões em que, logo ao acordar, não me lembro do que sonhei. Mas basta pousar os olhos sobre um elemento qualquer durante o dia ou ouvir uma palavra-chave e pronto: as memórias são reavivadas. Esse sonho com Clint (notaram que estou íntima? E mereço: o cara apareceu no meu sonho, pô!) só foi lembrado agora há pouco, quando alguém por aqui comentou o nome dele. Aí, pimba!: revi o sonho todo, feito um filminho. Por falar em filminho, também já realizei, em sonhos, um curta-metragem documental. Era sobre a corajosa escapada da mãe do meu amigo, que fugiu com ele da China quando o Japão invadiu o país. Ela enfrentou um soldado japonês (chamado de razorblade) com as próprias mãos. A história virou lenda na família desse meu amigo e as tias dele até cantavam uma espécie de canção folclórica que narrava o episódio. O documentário tinha como tema essa canção. Seria ótimo, não fosse por um detalhe: fora o meu amigo, que existe mesmo e é filho de mãe japonesa e pai chinês, mais nada descrito acima jamais aconteceu - a escapada, a briga com um soldado e, pior de tudo, o fato de um soldado japonês ser conhecido como razorblade (que significa "navalha"). Onde diabos eu estava com a cabeça? No travesseiro, lógico. Também já sonhei duas vezes com e-xa-ta-men-te a mesma coisa. Eu encontrava uma casa - um palacete, na verdade - toda feita em mármore branco, com cortinas alvíssimas e esvoaçantes. Enorme, clássica, linda, com uma rosa bem vermelha, solitária num vaso sobre uma mesa (foi quando descobri que sonhava colorido, sim). Agora, o surreal: a imponente habitação ficava escondida em cima da minha casa antiga, um modesto sobradinho "germinado" de dois quartos. Bastava entrar pelo abertura do forro que, em vez de dar de cara com o telhado, você adentrava essa bela casa. E ninguém nunca tinha notado que essa jóia estava ali em cima! Só em sonhos mesmo. Porém, meu idílio favorito ocorreu já há algum tempo. Nele, eu me via passeando num parque ao lado de um cavalheiro vestido à maneira antiga - e bota antiga nisso. Tipo corte francesa, manja? Então. Mas ainda fica melhor: ele fez uma longa explanação sobre a diferença entre o amor divino e o amor mortal (!). Eu juro que entendi. E o que é pior: nessa época, eu nem estava lendo Jorge Luís Borges antes de dormir. Acho que preciso mesmo parar com os chás noturnos, ainda que a embalagem deles diga apenas "cidreira". Vai saber o que tem naquele saquinho…
|
![]() |
|||||||||
![]() |
||||||||||