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A arte de presentear O aniversário de 1.000 textos passou e a gente não ganhou presente. Bom, não aqueles presentes concretos, que vêm embaldos em caixa, papel e laçarote. A conquista desse trio aqui foi comemorada, isso sim, junto com os leitores, trocando mensagens lindas sobre sonhos realizados e um futuro brilhante. Porque presente bacana é assim: não precisa vir em embalagem. Eu sempre adorei ganhar regalos de aniversário, Dia das Crianças, Natal. Mais que isso, sempre amei dar presentes aos amigos, aos parentes, às crianças dos amigos e parentes. É uma das melhores sensações que há, eu acho, ver a carinha de alguém que recebe o embrulho. Os pequeninos são os mais sinceros nessa hora: se você der ao moleque um conjunto de seis cuecas no aniversário, ele não vai sorrir para contentar ninguém – vai, isso sim, fechar a cara e só dizer "obrigada" se a mãe mandar. Seria bem mais simples se todos presenteassem os seus pensando como crianças, aliás. Se tem uma coisa que me aborrece é aquele período antes do aniversário. Não, eu não tenho qualquer bode da data, muito pelo contrário! Espero o dia 13 de fevereiro ansiosamente, como nos tempos de meninota. Chato é ouvir a indefectível pergunta. Todo santo ano tem alguém que me liga e questiona: "o que você quer ganhar?". De uns anos pra cá, passei a responder "um saco de ração canina ou um Porsche, você escolhe". Dar presente não deveria ser uma obrigação. Por isso perguntar "o que você quer ganhar" é tão ofensivo. Custa parar, pensar naquela pessoa especial, lembrar quem ela é, o que fala, o que gosta e escolher um mimo? Não é possível aguentar tanta falta de criatividade e amor ao próximo! Tá sem idéia? Então não precisa dar nada, só um abraço, dois beijos e talvez uma cartinha. Usar do tutano para escolher presente parece ser mesmo uma arte – ou um dom que poucos possuem. Muita gente não entende, por exemplo, os presentes que eu dou. Mas nem ligo, porque sei que eles surpreendem e animam. Para o namorido, já comprei de pantufas com padronagem de vaca a walk-talks. Não era o que ele esperava, mas adorou. É isso o que vale ao presentear: mostrar que você se importou em alegrar aquele outro ser humano – e não mostrar quanto dinheiro gastou. Entre uma camisa de seda italiana branca linda e um Aquaplay usado do site de leilões, sou um milhão de vezes a segunda opção. Dou a entender isso a anos, mas muitos parecem não sacar. Sério, eu adoro tudo o que ganho, mesmo que seja de fato um saco de ração canina. Mas gosto mais quando vejo que a pessoa quis mesmo me dar aquilo. Receber roupas enjoadas só porque eram da loja mais próxima, magoa. Tá bom, não magoa… Mas também não acrescenta. No último aniversário, quase morri de alegria. Clara e Vivi deram um pacote ultra-divertido contendo lápis de cor, SuperMassa, brinquedos (usei tudo, sem dó). Raquel me enviou flores lááá dos Istêites, arrancando uma lagriminha. Leandro, aquela fofura, mandou fazer uma placa rosada com três garotas atravessando a rua – e ela vai para a porta do escritório assim que o cômodo estiver no jeito. Tércio deu o CD de um filme que tínhamos visto juntos e amado. O maravilhoso namorido apelou: me deu um Dr. Evil que fala "why must I be surrounded by sucking idiots?"! E vários DVDs! Amei cada demonstração de carinho por causa da sinceridade. Ultimamente, ando devendo presentes para mais gente. Queria poder contentar a cada um com aquilo que eles almejam, como uma fada madrinha (mas não daquelas gordinhas e míopes, não). Hoje quero dar um desses. É virtual, mas é de coração. Aos leitores do Garotas que Dizem Ni e aos membros do nosso divertido Fórum, eu dedico esse texto e um recado: vocês alegram os meus dias como nunca pensei que um bando de rapazes e moças hilários, simpáticos e extremamente inteligentes faria. É só uma mensagem, mas eu deixo como presente.
Meu coração é de vocês! |
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