Eu sempre achei bonecas de porcelana assustadoras. Aquela face lívida, aqueles trajes rendados cheios de babados e aquele ar de antigamente me faziam pensar em um defuntinho. Todos os exemplares que eu ganhei na minha vida foram passados adiante na mesma hora – jamais ficaria tranqüila em dividir meu quarto com tamanha assombração inanimada, quiçá com uma coleção delas!
Mas não apenas de bonecas genéricas vivia meu medo infantil por brinquedos. O pior deles, como já narrei aqui, foi um pequeno E.T. da Groll que mamãe me deu para tentar “afastar” o pavor que eu tinha daquele alienígena pescoçudo, enrugado e com voz de Dercy Gonçalves. Claro que o boneco só ajudou no trauma, principalmente porque ele ficava me olhando de cima da cômoda.
É por isso que tenho uma certa tendência a acreditar que os fabricantes da indústria de brinquedos gostam mesmo é de pregar peças mórbidas nos pequenos. Assim, acabam por empurrar itens que mais assustam do que divertem. Claro que há gosto para tudo. Mas eu não teria bons sonhos ao lado de algum desses bonecos aí embaixo...
Fofão
É batido – mas não dá para pensar em brinquedos do medo sem citar o boneco. Como se já não bastasse ele ser confeccionado à imagem e semelhança de um personagem por si só assustador, ainda carregava uma famosíssima lenda urbana: para obter sucesso, o ator que interpretava o bicho fizera um pacto com o Coisa Ruim. Em troca, foram enfiadas dentro do boneco velas de macumba – ou punhais.
Gui-Gui
Uma bonequinha linda – pelo menos, na aparência. Ela tinha uma carinha de criança e era vendida como a última moda em tecnologia. Bastava a menina juntar os bracinhos rechonchudos que ela “gargalhava”. Ou melhor: soltava uma risada estridente, assustadora e demoníaca! Toda a inocência ia para o ralo, e de repente a doce boneca soava como uma psicopata com planos sangrentos em mente.
Late Lulu
Esse também foi uma carinhosa cortesia da Estrela. Apesar de ser envolto por pelúcia fofinha, o cachorro em questão era duro feito pedra – já que escondia um mecanismo complicado. Colocando pilha na barriga do bicho (o que já era horrível), ele começava a andar, sentar, latir e... dar uma pirueta! Assustador! Lembro bem que o negócio fazia um barulho de robô para funcionar. Ele foi aposentado loguinho.
Recém-Nascido
De todas as bonecas que a Estrela já lançou, com certeza essa era a mais aterrorizante de todas. Posso falar porque ganhei uma de Natal. Algum gênio teve a brilhante idéia de fazer um bonequinho idêntico a um bebê recém-nascido. E pior: conseguiu! Ele não sabia que bebês assim só são bonitos para a mãe que os pariu? O negócio era feio, enrugado e magricela. Sem falar no umbigo do medo, né? Piada de mau gosto.
Senninha
Meu irmão tinha um e fez questão de doá-lo depressa. Antes da morte do piloto, era apenas um bonecão cabeçudo que falava. Após a morte do piloto, ele era um bonecão ressurgido nos infernos. Imagine que coisa mórbida era olhar para aquilo! Ainda por cima, o troço falava... Bastava apertar a mãozinha para que ele soltasse frases do tipo “Acelera, amiguinho”! Hmmm, melhor mudar de idéia, né, Ayrton?
Sandy Fashion
Quase caí pra trás durante uma visita recente a uma loja de brinquedos. Uma boneca da Sandy já carrega sozinha elementos de terror. Mas este exemplar em questão é demais! É gigantesca – com certeza do mesmo tamanho de uma criança de 10 anos. Já pensou? O mais estranho, contudo, é que ela vem dentro de uma caixona retangular... Ah, desculpe, mas para mim aquilo é uma menina morta. Só falta enterrar.
Furby
Uma mistura de Gremlin com Corujito. Para piorar, o boneco é interativo. Na caixa, uma frase pavorosa: “Furby quer brincar com você”. Eu colocaria o adendo “para todo o sempre”. De qualquer maneira, o bicho dava sustos mesmo em quem o achava bonitinho. Sem mais nem menos, ele soltava um grito – e podia ser no meio da noite. Dica: não tenha brinquedo que fala. Pelo menos não antes de você falar com ele.

Quer brincar?