Meninos são incríveis. Uma espécie de gente bem menos descomplicada que garotas. Talvez seja por isso que sempre me dei muito bem com eles. Tive (e tenho) bons amigos homens. Divertidos, engraçados, desencanados. Mas quando saímos do terreno “amizade”, a coisa se complica. Meu tipo de homem é um pouco raro de se encontrar – e você vai saber o motivo.
Minhas restrições, algumas bem extremas, são facilmente esquecidas em uma roda de bar. Não me importo em ouvir um amigo narrar todos os lances do último jogo do Curingão, por exemplo. Mas não suportaria um namorado fazendo isso ao meu lado, com tantas outras coisas mais importantes para conversar ou fazer.
Portanto, quero deixar bem claro que o texto de hoje não tem intenção alguma de ofender algum leitor aí do outro lado. Muito menos generalizar. Afinal, é bom lembrar de que o tal amor costuma chegar nos momentos mais inesperados...
Metaleiros
É fato: não consigo me dar bem com um parceiro que tenha gosto musical diferente do meu. Não apenas diferente – se eu gostar de Beatles e ele de Rolling Stones, beleza. O problema é se eu gostar de Beatles e ele de Megadeth! Não rola, né? Imagine a briga pelo botão do dial no rádio do carro... Aliás, todo o “pacote metaleiro” me dá cócegas: camiseta do Áááááiron, cabelo maior que o meu, calça jeans suja e botinão. Mas calma, queridos roqueiros. Tem coisa muito pior. Como pagodeiros.
Futebol-maníacos
Olha aí uma restrição que lima 95% dos meninos sobre o nosso solo nacional, para a minha tristeza. Um relacionamento com alguém que não fala “oi” quando encontra um amigo, e sim “e aí, perdedor” ou “e o seu time, hein” ou “fala, corinthiano”, teria uma validade muito curta. E dividir o mesmo recinto que ele durante um jogo de futebol, então? Algumas meninas podem até achar excitante ver o parceiro ali, berrando como o homem das cavernas, xingando o juiz ou dando socos no ar. Eu, não.
Malufistas
Daí você me diz: mas Vivi, malufistas são senhores idosos que acham que no tempo dos militares é que era bom! Nananinanão. Há malufistas entre jovens esclarecidos. Na minha classe da faculdade de jornalismo havia um punhado deles. Todos bonitões, bem vestidos, inteligentes. Bem, nem tanto. O fato é que o gosto político conta muito para mim. Não que eu seja super politizada ou algo parecido. Só tento não dar meu voto a picaretas – e teria insônia de saber que meu namorado o faz.
Sujinhos
Gosto de meninos desencanados com moda. Mas isso não quer dizer que gosto de meninos completamente alheios ao visual. Ser desencanado é usar camiseta branca, calça jeans e tênis All Star. Porém, tudo limpo e cheiroso – inclusive o próprio. Não precisa usar roupa de grife, fazer manicure (credo!) ou ficar checando o visual em todos os espelhos que encontrar pela frente. Basta gostar de um bom banho. E fazer questão de tomar um antes de se encontrar comigo, é claro.
Mauricinhos
Meninos nascidos em berço esplêndido, com carro importando ganho do pai ao entrar na faculdade, emprego garantido na empresa da família, dinheiro saindo por todos os poros, cabelo e roupas engomadas, sorry. Gosto de rapazes trabalhadores, que sabem direitinho quanto significa o salário no fim do mês. Que suaram para garantir um bom emprego e comprar um carro legal. Que consigam encontrar valor em pequenas coisas. Gente que tem tudo de mão beijada dificilmente consegue.
Intolerantes
Nessa panela de intolerância entra tudo de ruim. Como um cara que tenha preconceito de qualquer espécie. Ou que tenha aquela mentalidade de “bandido bom é bandido morto” e “direitos humanos para humanos direitos”. Ou que carregue qualquer arma de fogo e xingue no trânsito. Arrisco colocar aqui também os extremistas religiosos, seja qual for a crença. Como eu não tenho religião formada, seria um alvo fácil para ser “convertida” pelo namorado. Já pensou? Cruz credo!
Anti-bichos
Está fora de questão tentar ter um relacionamento saudável com um garoto que acha divertido atirar pau no gato, literalmente falando. Ou chutar cachorro. Ou atirar em passarinho. Não exijo que o cara ame os animais como eu amo, mas que não maltrate e respeite o meu posicionamento quanto a isso. Há poucas coisas que conseguem me ganhar mais do que ver um namorado fazendo festa a um cachorrinho, ou brincando e acariciando qualquer um dos meus gatos.
Fumantes
Tenho muitos amigos fumantes, entre eles uma bem querida. Tudo fica às mil maravilhas, até que um resolve acender aquele cigarrinho dos infernos. Eu consigo tolerar um ou outro. Mas conviver com alguém que fuma seria impossível para mim. Imagino a cena: eu chegando a um encontro, de banho tomado, toda perfumada. O cara abre a porta do carro para eu entrar e vum! sai aquela névoa de fumaça fedida. Agora pense em dividir uma casa (e uma vida) com um fumante. Não dá.
Baladeiros
Aí vamos entrar em um estilo de vida completamente diferente. Assim como baladeiros seriam um pesadelo para mim, eu sou o maior pesadelo para eles. Odeio trocar o dia pela noite. Odeio passar horas em um lugar cheio de gente, de barulho, de fumaça. Fazer isso uma vez ou outra, ok. Mas todo fim-de-semana... Gosto de curtir minha casinha, de alugar um filme e comer pipoca no sofá aconchegante. E sair para jantar num restaurante tranqüilo e pegar um cinema. Diz aí: tem coisa melhor?
Ah, antes que perguntem: sim, encontrei um garoto com bom gosto musical, que ignora futebol, que odeia o Maluf, que é cheiroso, trabalhador, inteligente, talentoso e educado com as pessoas, que é carinhoso com bichos, que não fuma e que gosta de curtir o sofá comigo. Aliás, o nosso sofá, né, Mr. Griswold?