|
||||||||||
|
||||||||||
Cola, papel e tesoura Antes de começarmos, anote aí o material para o texto de hoje, leitor: um tubo de cola branca atóxica, daquelas boas para fazer meleca; papéis coloridos de todas as espécies, como papel-espelho e jornal; finalizando, uma tesoura pequena sem ponta para não botar em risco os olhos dos coleguinhas. Ah! Não se esqueça também de pedir sempre a supervisão de um adulto. Eu adorava as listas de material para aulas de educação artística ou quadros de programas infantis que tentavam ensinar arte aos telespectadores mirins. Normalmente, elas eram curtas e simples: não podiam faltar esses três ingredientes, além de outros poucos badulaques. Tenho saudades de passar a tarde compenetrada na deliciosa atividade de recortar e colar. Ou apenas recortar. Ou apenas passar a cola na mão, esperar secar e então tirar as casquinhas como uma segunda pele. É por isso que hoje eu presto uma homenagem a esses produtos baratos que, sozinhos ou acompanhados de outros, me ajudaram a brincar, melecar, criar e ainda por cima receber elogios de parentes! Cola Tem coisa mais gostosa do que fazer colagem? É praticamente uma terapia para crianças, comparável ao tricô para as velhotas. Claro que os pequenos não podem manusear aquelas agulhas grossas e pontudas – mas podem se esbaldar no ato de passar cola em qualquer coisa. Já contei aqui que minha paixão nas aulas de educação artística era a lantejoula. Chegava a enfiava os belos círculos furta-cor não apenas em desenhos, mas em trabalhos de outras matérias “sérias”. Bem, todos eles precisavam de uma capa, certo? Era gostoso também escrever o nome com o bico da cola, jogar pitadas de purpurina em cima e, com o excesso limpo, ver a palavra brilhando em cores. Mais gostoso ainda era fazer um desenho a lápis e depois ir acompanhando o contorno com macarrões. Vai dizer que nunca fez colagem usando esse ingrediente culinário de várias formas e cores? Não sabe o que perdeu! Papel Como viciada em papelaria, não podia ficar indiferente àquelas pilhas de pura celulose! E cada uma tinha a sua característica. O papel-espelho sempre foi a melhor opção para fazer dobraduras. Depois de cortado um quadrado perfeito – por que as dobraduras sempre começam com quadrados perfeitos? – conseguia fazer a folha virar flores, bichos ou objetos, de acordo com minha vontade. A dobradura favorita sempre foi o sapo que pulava. O papel laminado, brilhante que só ele, era ideal para colagens de céus reluzentes de astros. Estrelinhas recortadas em dourado serviam inclusive para a professora da E.E.P.G. enfeitar minhas lições caprichadas. Colando duas estrelas maiores em um canudinho, plim!, tinha uma varinha de condão. Ou poderia fazer uma coroa de princesa cheia de pedras preciosas. O papel favorito da minha infância não era vendido em papelaria, e sim em bancas. Fazer chapéu de jornal era incrivelmente divertido – principalmente porque ele ficava sempre frouxo e torto na minha cabeça, fazendo-me ficar com cara de louca. E soltar barquinhos de jornal na enxurrada, então? As frágeis embarcações tinham pouco tempo de vida útil. Mas valiam cada centésimo de segundo! Tesoura Se eu pudesse, seria uma Viviana-Mãos-de-Tesoura, de tanto que o objeto de corte conseguia me alegrar. Nenhuma revista em casa permanecia inteira. Era só mamãe largar um exemplar em cima do sofá e lá ia eu recortar as gravuras mais bonitas. Cheguei a dizimar uma coleção de National Geographic do meu pai, e isso não é motivo de orgulho. Quando alcancei o feito de recortar as menininhas de mãos dadas, nossa, foi uma glória – capaz de deixar no chinelo a vez em que aprendi a trançar com as franjas do cobertor Parahyba. Era só dobrar uma folha de sulfite várias vezes em forma de sanfona, desenhar uma menina (com o cuidado de deixar um dos braços encostados na extremidade da dobradura), e meter a tesoura. Depois, pintava a carinha de cada uma delas. Minha capacidade com o instrumento, porém, era testada mesmo quando eu ganhava aquelas bonecas de papel. E nossa, como eu ganhava aquilo (hoje desconfio que era desculpa da minha mãe para brincar também). Em um papel cartão, vinha desenhada uma boneca só de lingerie. Ao lado dela, vários modelos de roupas, desde vestidos de festa a trajes de banho. Ainda vende? Eu quero muito uma.
|
![]() |
|||||||||
![]() |
||||||||||