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Obrigada, televisão Eu sempre discordei com a opinião de que a violência mostrada na tevê é a culpada pelos delitos de adolescentes de classes privilegiadas. Foi essa a desculpa encontrada quando dois estudantes norte-americanos abriram fogo em seus colegas na escola Columbine – afinal, disseram, todo o problema dessa geração atormentada vem dos filmes e programas sangrentos da caixa de fazer louco. O caso é que assistir todos os dias a atrações no nível de “Cidade Alerta” não irá me fazer sair pelas ruas metralhando indivíduos ao acaso. Se eu for uma psicopata assassina, posso ter minha ira despertada até por desenhos para crianças em idade pré-escolar, certo? Era o que pensava. Pois agora minha opinião tem mudado. Eu estou sim sofrendo com a influência da televisão e quero dar aqui meu testemunho. Algumas vezes já me peguei completamente fora de mim, testando na frente do espelho como ficaria meu rosto se eu entrasse no bisturi e desse uma levantadinha nas pálpebras. A genética só me pregou peças, e um leve excesso de pele sobre os olhos é uma delas. Imagine como será quando chegar nos 50! Para não correr o risco até chequei, disfarçadamente, se meu plano de saúde inclui tal procedimento. Juro! Culpa de quem? Minha? Ou de programas como o “Extreme Makeover”?. Propagandas, então... Outro dia vi uma do sabonete Dove com mulheres de várias idades. Uma delas, para meu espanto, tinha 27 anos! Busquei no meu rosto qualquer sinal de rugas e tratei de ligar para minha mãe dermatologista me arrumar uns cremes batutas. Só para garantir. Sem falar nos comerciais de produtos da Polishop – acredita que eu realmente pensei como aquela mangueira pode ser útil? Mas a maior vítima da televisão aqui em casa não sou eu. Mesmo tendo terminado a decoração do nosso apartamento, namorido não dá folga. Ele simplesmente não pode assistir a programas de bricolagem que já vem com idéias de mudar algo – mudança que vai, é claro, a) gastar dinheiro, b) dar trabalho e c) fazer sujeira. Certa vez, vimos uma atração onde a decoradora pintava tetos de cores berrantes. Assim que os créditos subiram, lá foi ele buscar dois galões de tinta. Na mesma noite, pintou o teto do banheiro e da cozinha. Algum tempo se passou depois disso, até a estréia da série “Entre 4 Paredes”, do canal People + Arts. Nele, quatro casais precisam reformar do zero um apartamento caindo aos pedaços com uma verba estabelecida previamente. Os olhinhos do doce rapaz brilhavam de ver aquele monte de poeira e material de construção. Resultado? Ah, vamos trocar o piso do banheiro! Cá estou eu, com dois pedreiros marretando o cômodo antes imaculado, para colocar um piso de pastilhas. Vai ficar lindo, aposto. Mas enquanto não fica, tome barulho e sujeira. Sem falar na necessidade de se usar o toalete da academia do prédio para qualquer eventualidade – e passar um pouco mais de 24 horas sem tomar um bom banho. Tudo bem. Melhorias para a casa são sempre bem-vindas. Mas bem que ele poderia assistir a um programa de culinária e ficar com vontade de me fazer um enorme bolo cremoso! Ou ver uma atração sobre as ilhas gregas e sugerir quinze dias em um cruzeiro. Que tal? Isso sim seria influência da boa. Vivi Griswold às 09:48 AM |
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