sexta-feira, 23 de julho de 2004

S.O.S. narinas

É tarefa das mais fáceis afiar o olfato e dar as boas-vindas a cheiros bons, como pipoca estourando na panela ou aroma da mãe da gente. Mas, como tudo na vida, até a atividade de reparar no que chega às narinas carrega seu lado ruim: fedores estão aí por todos os lados – e, quando eles se aproximam, fica duro de respirar.

Existem cheiros que não são tão ruins assim, mas que nos fazem lembrar de experiências desagradáveis. Outros, cruzes, são ruins mesmo. E haja oxigênio (ou spray de Bom Ar) quanto eu me deparo com qualquer uma das fragrâncias abaixo...

1) Jaula do búfalo
Dessa eu escapei desde a decisão de não mais comparecer ao zoológico de São Paulo. Mas o cheiro daquele cercadinho é tão pavoroso que nem preciso estar lá para me lembrar dele. É uma mistura de bicho, com cocô de bicho, com comida de bicho, com água de bicho... Precisa de uma máscara como a do Michael Jackson!

2) Bafo de cerveja
Eu poderia ter dito "bafo de pinga", que é pior. O problema é que bafo de cerveja é bem mais comum – e, portanto, me faz sofrer mais. Já disse aqui o que eu acho dessa bebida diurética que mais se parece o próprio xixi com gás. E o quanto eu admiro os publicitários que teimam em colocar, lado a lado, cerveja e mulher.

3) Inseticida
Eu não gosto de matar bichinho. Só formiga, se ela estiver me atacando (ou a meu doce). É impossível, porém, conviver com pernilongos dentro de casa, ou aquelas moscas verdes horrorosas que invadiam meu quarto quando eu morava com a minha mãe. O jeito é passar Baygon no ambiente – e tentar sobreviver mais que os insetos.

4) Fumaça de cigarro
Desculpem os fumantes, mas cheiro de cigarro é insuportável. Deviam inventar um exemplar que não tivesse um fedor tão ruim – assim os não-fumantes não passariam por frescos. Pois é, ainda acham frescura permanecer em um ambiente esfumaçado e amaldiçoá-lo por conta do seu recém-lavado cabelo ou de suas roupas antes perfumadas.

5) Cecê de ônibus
Acompanhe meu raciocínio: você está tomando um ônibus daqueles bem visados, às seis hora da tarde de uma sexta-feira (quando todo mundo entra em desespero para chegar logo em casa), tentando arrumar um espaço para ficar de pé. Qual o cheirinho que chega? Cecê, claro. Ainda mais com o povo todo de braço levantado!

6) Pinho Sol
Peço desculpas ao fabricante de um produto tão conceituado por tê-lo colocado numa lista tão, hã, desrespeitosa. É que não consigo nem começar a sentir aquele perfume de eucalipto – e por pura lembrança olfativa. É que mamãe era usuária pesada de tal item. Quando eu "passava mal", ela limpava o chão com isso. Impossível dissociar.

7) Fralda suja
Chega a ser engraçado: de todas as coisas fofinhas que meus irmãos faziam quando eram bebês, quase nada ficou na minha memória. A única coisa de que ainda me lembro bem é o cheirinho vindo das fraldas. Céus, o que era aquilo? Bebês só tomam leite e comem papa de legumes! O urubu entrou exatamente onde nessa dieta?

8) Barraca de peixe
Os feirantes que precisam permanecer na barraca de peixe desde as cinco horas da manhã são uns heróis. Ou, então, uns mutantes cujas narinas foram atrofiadas pela genética. Eu não consigo evitar a cara de nojo quando passo por uma dessa. E não gostaria de estar na pele do morador da casa que cede seu teco de rua à barraca em questão.

9) Merthiolate
Outra memória olfativa desagradável. Ou alguém aqui achava legal ralar o joelho até o osso? Eu abria o maior berreiro sofrendo por antecipação, já que em seguida lá vinha aquela lenga-lenga do merthiolate. "Vai tirar os bichinos", mamãe dizia. Mas precisava arder como o inferno para tirar os micróbios? Vai ver que precisava. Droga.

10) Fritura de boteco
Poucas coisas conseguem me alegrar mais do que estar caminhando pela rua de manhã e sentir a apetitosa fragrância de coxinha fritando no óleo de anteontem. Hmmm! Nada melhor para começar um bom dia! Quando eu trabalhava no centro da cidade, oba, todo dia era presenteada por um cheirinho desses. Pena que nunca parei para comprar....

salgado.jpg
Vai um "risóleo" aí?
Vivi Griswold às 10:07 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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