quarta-feira, 21 de julho de 2004

Brinco, não nego

O cardápio de brincadeiras disponíveis quando a gente conta de três a treze anos (não espalhem, mas eu ainda sacava das velhas Barbies e playmobils e topava uns embates de taco com a dita idade) é mesmo interminável. Caetano, meu afilhado de três invernos recém-completos, se diverte à beça rodando no próprio eixo de sua pequena pessoa, por exemplo. Viu só? Não precisa nada para se divertir!

Claro que Barbies, playmobils e acquaplays do Bob Esponja podem ajudar um bocado. Mas, como vimos ontem, há uma série de atividades que dependem tão-somente de nossa cachola e da companhia de amigos – ou, no máximo, de uma disputa de dedos iguais ou par-ímpar a fim de tirar os times.

Foram admitidas aqui apenas as brincadeiras populares, quase folclóricas, que existem em todo o país (ou ao menos em boa parte dele, talvez com nomes diferentes). Como combinamos, aí vai a continuação das distrações favoritas de rua. Ficam para outros dois dedinhos de prosa aquelas atividades de crianças urbanas e mais específicas da geração 80, como escritório, escolinha e, er, Changeman (eu já confessei que brincava de Esquadrão Relâmpago, com direito a Power Bazuca e tudo, por aí).

Pega-pega
Nunca fui muito fã desse arranca-rabo da velocidade infantil. É que eu era meio mirradinha, tinha bronquite e, se corresse muito, desatava a tossir feito uma condenada. Além do mais, me dava profunda aflição ter alguém nos calcanhares (devidamente calçados com Bubble Gummers). Mesmo assim, participei de muitas rodadas da distração, sempre mais animada quando o quórum de velocistas era maior.

Barra-manteiga
Até hoje, não entendo direito qual era a dessa modalidade de passatempo infantil. Tinha algo a ver com corrida e com bater na mão de algum dos infiéis enfileirados diante do chefe da rodada. Como envolvia velocidade e tal quesito nunca foi meu forte, só topava participar dessa quando minhas outras sugestões, como brincar de Changeman, eram completamente vetadas.

Mãe da Rua
Essa também era de correr, mas só um pouquinho. O escolhido para ser o personagem-título da brincadeira se posicionava no meio. Dois grupos ficavam em lados opostos. O lance era atravessar correndo, tentando escapar de ser pego pela suposta matriarca do logradouro. Gozado como premissas completamente toscas são capazes de manter um bando de petizes barulhentos ocupados por um tempo razoável.

Taco
Em outros estados, a brincadeira tem nomes diversos. Precisa ter duas latinhas ou garrafas, dois pedaços de pau que sirvam para rebater uma bola e, bem, uma bola. Espécie de beisebol mais simples e rasteiro, o jogo de taco só tem um problema: a profusão de regras diferentes, dependendo da cidade, do bairro ou mesmo da rua em que se morava. E a frase obrigatória "Licença para pegar no taco!", que hoje soa um pouco estranha.

Mês Castigo
Eis a minha favoritíssima de todos os tempos! A primeira parte da brincadeira é bem idiota: uma dupla se destaca do grupo e pensa num mês. Os outros vão chutando meses, até acertar. Aí vem a parte bacana: a dupla perguntava para o acertador "o que você quer do mundo?". Amplo, não? Em seguida, voltava a se reunir reservadamente para combinar duas marcas do objeto do desejo do cidadão, para que esse pudesse escolher.

Claro que, no auge dos 80, as opções eram quase sempre as mesmas. Se o dito cujo quisesse uma bicicleta, sacávamos de "BMX ou Cecizinha?"; se almejasse um carro, a pergunta era "Escort XR3 ou Monza?"; no caso do videogame, lá vinha "Atari ou Odissey?". Nesse caso, havia que ser rápido para escolher ser o Atari, que sempre ganhava...

Atari box
Quem não queria um desses?


Clara McFly às 06:27 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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