terça-feira, 20 de julho de 2004

Família, ê!

Podemos achar os membros das nossas famílias estranhos, malucos, desajustados. Mas só nós podemos dizer isso! Ai de quem fala mal dos meus parentes... É como nas famílias de desenho animado: eles não regulam nada bem e são pra lá de esquisitos. União, porém, não escolhe apenas gente tranqüila e coerente. E digo mais: eu queria fazer parte das linhagens mais piradas da animação.

Se são pés-rapados, monstruosos ou perseguidos por forças malignas universais, não importa. Ver o lado bom das famílias é o essencial – sejam elas de verdade ou criadas na base da tinta e do grafite. Sempre haverá um irmão como Bart, uma mãe como Morticia, um cachorro como Chuchu... ou não. Mas ainda bem que alguém tomou substâncias bem fortes para nos brindar com esses núcleos familiares muito loucos da pesada.

Jetsons: os moderninhos
Andam dizendo que eles vão finalmente chegar ao cinema. Até eu defendia essa possibilidade, olha só! Mas a verdade é que dá um pouco de medo. Ficaria bom ou ruim ver, na telona, os tubos de transporte e o hidratador de comida do clã de George? Não sei. Basta não virem com um Astro digital, já está bom demais. Porque o cachorrão era o meu predileto na família. Ele tinha voz de barítono, que encanto.

Simpsons: os incorretos
Desajustados? Magina... Trata-se de uma gangue onde o pai dá à filha bebê um brinquedo de cachorro e diz “não faz mal, ela não sabe ler a embalagem”. A esposa tem chiliques periódicos (e quem pode culpar Marge, tadinha?), a filha mais velha passa crises existenciais, o garoto do meio é projeto de delinqüente. Ajuizado, só o Ajudantezinho do Papai Noel, o vira-lata da família. Isso porque, quando escuta os donos, ele entende apenas “blá blá blá senta”, “blá blá blá come”.

Família Buscapé: os lesados
Se fosse para morar no campo, porque não dividir o casebre com eles? O maior motivo de estresse, entre os Buscapé, é quando o bode do vizinho resolve comer os nabos plantados pela Mãe. Tudo o mais acontece da maneira mais leeeenta possível. Em se tratando de ursos, até dá para compreender. De tão bobos, nem os filhos Florzinha e Chapeuzinho dão trabalho. A não ser quando apanham o banjo para atrapalhar a soneca do indolente Zé.

Herculóides: os elos-perdidos
Como Vivi disse hoje, ainda não entendemos: eles viviam no passado ou no futuro, pô? Aqueles animais eram pré-históricos ou evoluídos pra caramba? Enfim... a estrutura do núcleo funcionava, de qualquer maneira. Papai Zandor era um homem corajoso e protetor capaz de prover não só Dorno e Zara, mas também suas aberrações. Digo, seus bichos de estimação. Se é que a terminologia se aplica a um rinoceronte que atira bolinhas.

Chan: os trapalhões
Lembram da Família Chan? Os chineses eram peritos em desvendar crimes – desde que liderados pelo pai, Charlie Chan, e não pelo bando de filhos dementes. A molecada (eram dez rebentos, no total) vivia querendo ajudar a solucionar os mistérios, mas só criava problema. O ponto alto era o Chuchu, cachorrinho-com-jeito-de-pano-de-chão da trupe. Ah! E, claro, o caminhão que podia se transformar em qualquer meio de transporte. Eu queria aquilo!

Família Adams: os doces monstros
O amor de Gomez e Morticia transcendia a névoa em que era imerso o casarão dos Adams. De tão carinhosos e delicados, eles atraíam todos os membros da família para seu ninho – enquanto espantavam os demais humanos preconceituosos. Tanto é que os empregados, ali, se sentem sangue do sangue... sem duplo sentido. Tropeço, por exemplo: que outra família trata tão bem um mordomo-motorista-zumbi? Desconheço. Ainda bem.

Muzzarelas: os arruinados
Disparada, a família que eu queria ter! Para começo, porque adoraria usar um nome em estilo Roma Antiga – tipo Precócia, como se chamava a filha caçula. Zecas era o patriarca da turma, gente classe-média que só se ferrava nas mãos do senhorio, o Chatus, e do chefe, Gambázius (esses nomes não caem mesmo como luvas??). Os problemas dos Muzzarellas eram os mesmos de sempre: falta de dinheiro, confusão com vizinhos, mal-entendidos generalizados. Para zoar ainda mais o cenário, eles tinham um animalzinho clandestino, o Brutus. Era um leão? Era. Cada família esquisita reúne os membros que acha por bem, ora! E deixe a minha turma em paz!

Muzzarellas.jpg
Que tal se chamar Flavias Decimus Meridius?
Fla Wonka às 02:17 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold