sexta-feira, 16 de julho de 2004

Snif, snif

Em desenhos animados, quando alguém coloca uma torta de amora na janela para esfriar, uma nuvem de aroma em formato de mão sai e vai buscar o personagem. Quando este sente o cheirinho bom, fica imediatamente hipnotizado e acaba se deixando levar, flutuando, até o quitute. Na vida real, nenhuma mãozinha daquelas veio me buscar... Só se eu usar de imaginação quando sinto meus cheiros favoritos.

Já escrevemos no Garotas (aqui e aqui) o quanto o olfato é importante, principalmente para marcar um evento e fazê-lo ficar sempre na memória. Muita coisa que aconteceu na infância, por exemplo, consegue vir à tona apenas com um cheirinho específico. Mas não é só para recordar algo que eu gosto de afiar as narinas. Existem cheiros atemporais – e cotidianos – que me fazem ficar contente. Ó:

1) Gasolina
Assim que aporto em um posto de abastecimento, começo a fungar para pegar uma nuvenzinha de aroma de combustível. Droga, sou muito estranha? Mesmo? É que adoro o cheiro de gasolina. Não que passaria no pulso como um perfume não. Tento mesmo é aproveitá-lo até o frentista devolver a chave e chegar a hora de partir.

2) Bebê
Cheiro de bebezinho é muito bom. Claro que me refiro a bebê de banho tomado, e não à fralda suja, substâncias azedas e outros fedores que acompanham o rebento. Aquele misto de talco, amaciante, sabonete e pele cor-de-rosa! Por isso é importante ser bebê dos outros, que costuma estar limpo para visitas.

3) Pipoca estourando
Toda vez que entro em um cinema, sinto a mão imaginária chegando e me arrastando até o balcão. A maldita é tão poderosa que me faz gastar mais de seis reais em um saco de pipoca! Acontece que não posso com esse cheiro. Já tentei até me empanturrar de comida antes. Basta a pipoquinha dar as caras, pronto.

4) Lápis novo
É só comigo ou tem mais louco no mundo segurando o lápis debaixo do nariz assim que o item chega da papelaria? Ah, aposto que somos vários apreciadores do cheiro de lápis novo... Chego até a dizer que o tipo com grafite 2B tem um aroma diferenciado dos demais. Tá certo, acabei de assinar minha declaração de insana.

5) Alho, cebola e azeite na panela
Às vezes eu faço arroz apenas pelo prazer de ficar com o nariz em cima da panela enquanto frito cebola e alho no azeite... Dificilmente um aroma de cozinha conseguiria derrubar esse da minha lista de favoritos. Minha vontade é de desligar o fogo, pegar um pão italiano e chuchar naquele sumo. Engordante? Magina!

6) Terra molhada pela chuva
Quando as nuvens negras se formam no céu, já fico de sobreaviso. Se começar a pingar, corro para a janela para sentir um cheirinho que mescla água de chuva com terra e mato – dura pouco tempo, mas vale à pena. Principalmente em chuvas de verão: dias quentes fazem o aroma ficar mais forte e mais gostoso de sentir.

7) Sabão em pó
Odeio lavar roupa. Definitivamente, não entendo as regras. Não sei mexer na máquina. Não sei separar colorido do branco (é mais difícil do que parece). Não sei medir a quantidade de produtos. No meio do pesadelo doméstico, uma coisa se salva: cheirinho de sabão em pó! Tinha de haver algo de bom, não?

8) Dama-da noite
Nunca deixei em segredo aqui minha predileção por dias frios de inverno. Mas eu tenho de admitir que, em noites quentes, há pouca coisa que consegue me alegrar instantaneamente do que pegar de repente o aroma de um pé de dama-da-noite. Tanto que eu plantei um desses na varanda. Melhor que incenso!

9) Mãe
Minha mãe me conta que, quando eu era pequena, tinha mania de pegar o braço dela e ficar cheirando. Eu dizia que estava “sentindo o cheiro da mamãe”. Porque mãe tem cheiro. Elas podem até dar as mesmas broncas e ter as mesmas frases, mas cada uma tem seu aroma especial e único. Só os filhos sentem.

10) Meu perfume favorito
Eu já decidi qual é meu aroma industrializado favorito. Gosto tanto dele que o frasco permanece quase intocado. É, sou daquelas tontas que têm dó de “gastar”. Daí o negócio evapora e ninguém acaba usando. De qualquer maneira, gosto de usá-lo em ocasiões especiais. Em outras, só tiro a tampa e dou uma fungada.

Vivi Griswold às 10:56 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold