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O verdadeiro carimbador maluco Se eu ganhasse um Real para cada humano triste que soube superar obstáculos e produzir maravilhas... Estaria bem rica, por certo. Pois existe mesmo gente capaz de vencer o sofrimento (físico ou emocional), ultrapassar tempos difíceis e usar a cabeça para gerar obras artísticas impressionantes. Foi assim com Aleijadinho, Frida Khalo, Vincent Van Gogh – e com um holandês não tão conhecido pelo público quanto esses, mas especial para quem aprecia a genialidade. O nome do homem era Maurits Cornelis Escher. Ele nasceu em 1898, na cidade de Leeuwaeden, e era o filho mais novo de um engenheiro. Logo cedo começou para o garoto a mesma toada que assolou mentes brilhantes como Einstein e Da Vinci. Aos 13 anos, Escher ingressou numa escola secundária e foi considerado um péssimo aluno, sendo reprovado duas vezes pelos professores.
Em 1919, foi para Haalem estudar na Escola de Arquitetura e Artes Decorativas, mas não durou na pretensa carreira. Mas foi lá que Samuel Jesserun de Mesquita, professor de técnicas de gravura artística, notou o talento do moço e o convenceu a mudar para o curso de Artes Decorativas. Mesquita incentivou as viagens maluconas de Escher por muitos anos. Com o início da Segunda Guerra Mundial, a vida se tornou difícil para os holandeses – e o mestre, sua mulher e o filho foram assassinados pelos alemães em um campo de concentração.
Apesar da forte ligação com o professor e da depressão que sofreu pela morte dele, Escher não deixou de trabalhar. Refugiado na Itália, ele desenvolveu suas primeiras xilogravuras de paisagens – aquela técnica na qual o desenho é esculpido em madeira e, depois, marcado no papel com tinta. Em 1941, ele mudou-se para a Holanda de novo e teve, afinal, sossego para desenvolver os trabalhos mais ricos da sua carreira artística.
Os desenhos que salpiquei pelo texto são uma amostra do que esse homenzinho praticava (para ver mais, clica aqui). Com pinturas desconcertantes, ele criava formas infinitas. Nas imagens piradas de M.C. Escher, a água corre para cima, mas também cai da cachoeira. Os soldadinhos sobem a escada, mas descem ao mesmo tempo. Uma mão desenha a outra numa mesma folha de papel. Dá para permanecer horas olhando os quadros desse senhor e encontrar cada vez mais motivos para ficar ali, tentando entender. Mas não é só arte pela arte: Escher era um estudioso da divisão de superfícies, perspectiva, distorção e ilusões espaciais. Para isso tudo, usou bastante a xilogravura, e também o carvão e o giz. Em 1962, Escher ficou muito doente, passou por uma grave operação e, daí em diante, produziu poucas obras. Em 1970, mudou-se para a Casa Rosa Spier, em Laren, um lugar onde artistas idosos podiam ter os seus próprios estúdios enquanto eram cuidados por médicos e enfermeiras. Lá mesmo ele faleceu, em 27 de março de 1972. Quando perguntavam a M.C. Escher de onde ele tirava suas criações mirabolantes, ele respondia sempre o mesmo: “Vieram-me as idéias na cabeça, eu não relacionava com arte”. Gênio sofrido existem muitos. Mas sofrido, único e ainda modesto, são poucos.
Nem o auto-retrato de Escher é padrão |
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