quarta-feira, 14 de julho de 2004

Olá, vizinho!

Eu tenho que confessar: sou meio anti-social. Por isso, sempre dei sorte com vizinhos. Porque vizinhos de pessoas anti-sociais são bons quando a gente sabe o nome e dá bom-dia – e só. Nada de pedir uma xícara de açúcar no meio da receita. Nem de ficar reparando na hora que fulano chega ou sai. Nenhum vizinho que tive foi desses de incomodar – no máximo, tem o moço que mora aqui em cima e eventualmente decide praticar cavaquinho de madrugada. Mas tudo bem, já que geralmente estou acordada nessas horas bizarras, mesmo.

Pensando melhor, tive uns amigos de muro na praia que fugiram ao meu tratado geral de procedimentos com vizinhos. Ficamos camaradíssimos e passávamos as férias de verão grudados. De volta à vida real em São Paulo, nos encontrávamos de quando em quando nas casas alheias. Mas conheço umas histórias escabrosas, de verdadeiros joselitos-sem-noção que habitam a casa ao lado.

Alguns destes tipos foram habilmente retratados na telinha. Ou vai dizer que você nunca identificou nos arredores da sua casa um vizinho como os da lista que segue aí embaixo?

Mamie e Vicki Dubcek, as intrometidas
Mãe e filha alugavam o sótão para os amalucados aliens de "3rd Rock From the Sun". Adentravam a casa dos Solomon sem bater, tampouco com o menor pudor. A intimidade era tanta que Vicki acabou dando uns catos no Harry, o mais estranho dos inquilinos.

Cosmo Kramer, o dono da casa (alheia)
Ele rouba as cenas de "Seinfeld" com suas maneiras, digamos, pouco convencionais. Pense numa má idéia. Kramer já a teve. E fez questão de tentar colocá-la em prática. O moço já usou o liquidificador de Jerry para fazer cascalho e transformou a cozinha do pobre numa fábrica de lingüiças. Precisa mais?

Ned Flanders, o religioso
Flanders divide a cerca com Homer. E embora qualquer pessoa normal reclamaria de ser vizinho de uma criatura tosca como o pai da família Simpson, Ned consegue ser tão chato que se torna o vizinho mala da história. Isso sem contar as lições de moral religiosas que ele sempre tenta pregar.

Sra. Kravitz, a fofoqueira
Nada melhor para uma mexeriqueira feito a senhora acima do que morar ao lado de uma casa onde coisas para lá de estranhas acontecem. A dona era vizinha de Samantha, d’"A Feiticeira", e vivia de olho por entre as cortinas da janela para ver o que se passava do outro lado do gramado. Sorte de Sam que ninguém acreditava nas fofocas da coitada.

Harriet, a soma de todos os males
Lembrar dos saudosos programas oitentistas é sempre um prazer, mas a simples menção a essa garotinha ruiva que ia além das definições do pentelhismo me põe doida. Acho que nunca vi ninguém ser mais inconveniente do que Harriet, a vizinha da família de "Super Vicki". Pensando bem, nada naquela série batia muito bem – embora eu não perdesse um episódio. Quando a garota-robô tinha uma pane era assustador. Mas não pior do que ver a chata da Harriet, suas sardas e aquela franja estúpida.

harriet final.jpg
É ou não é uma maleta
sem-alça?


Clara McFly às 05:59 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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