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De cartola e bengala, ele vai voltar! Foi dada a partida para o remake da década. Conforme avisou a assessoria de imprensa da Warner Brothers, a nova versão de "A Fantástica Fábrica de Chocolate" já está em produção – tendo o talentoso, criativo e malucão Tim Burton no comando do projeto. Desde que o Garotas entrou no ar, muitos me perguntam coisas sobre o filme e, mais recentemente, sobre o que eu acho de refilmarem o clássico. Hoje, eu digo. Não é segredo para ninguém: "A Fantástica Fábrica de Chocolate" é meu filme predileto no mundo todo. Pode não ser a melhor comédia, o melhor infantil ou coisa assim, mas é o que mais me traz boas lembranças – e isso importa na hora de escolher sua produção preferida. Por isso mesmo, assim que soube da intenção de uns e outros em reeditar o dito-cujo, gelei. Torci o nariz e enfiei na cabeça que isso não ia acabar bem. Sou a favor de deixar o que é bom descansar em paz, sabem? Mas, com a notícia ganhando vulto, mudei radicalmente de idéia. Inventar é bom, reiventar pode ser melhor ainda! Afinal de contas, essa é uma das premissas do próprio Sr. Willy Wonka, o gênio máximo. Meu drama interno era: como conseguirão os produtores resgatar tanta magia e atores que sejam, no mínimo, tão bons quanto os antigos? Como achar alguém no mesmo patamar doce-pirado-de-carteirinha como Gene Wilder?? Pois acharam. Acharam tudo. Tim Burton sabe encontrar o ponto certo entre fantasia, delírio e realidade crua. Veja o currículo: "Peixe Grande", "A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça", "O Estranho Mundo de Jack", "Marte Ataca", "Edward Mãos de Tesoura" e dezenas de outros. Lá no mundo da imaginação, ele é um visitante consagrado e, suponho, costumaz. A notícia de que Tim seria o comandante-em-chefe me animou bastante. Faltava ter certeza sobre alguns outros pontos. O dono da fábrica, por exemplo. Nicholas Cage, o primeiro cogitado, seria um Wonka deprimente – me arrepiou a espinha. O segundo nome que apareceu, porém, acendeu uma luz aqui: Johnny Depp era (é) a escolha mais que perfeita. Desde o romancezinho "Benny e Joon" (1993), eu sou fã desse moço. Claro, já achava bom ator antes, mas ali ele conquistou meu pequeno coração – principalmente quando, imitando Carlitos, faz a dança dos pãezinhos espetados nos garfos. Como Willy Wonka, Depp deverá render tão bem quanto o Mestre Wilder, pois é ator perfeito para fazer graça ou drama (e para misturar ambos) como o antecessor. Também fiquei feliz em saber que o roteiro não seria uma continuação do original. O adorável livro de Roald Dahl será de novo a base da história. Portanto, as mesmas crianças maliciosas e mesquinhas estarão lá – como ver a fábrica sem contar com as ilustres e nojentas presenças de Augustus, Violet, Veruca e Mike Teevee? O Charlie, é claro, teria que comparecer. Afinal, é herdeiro daquele empreendimento cheio de homenzinhos verdes operários. Para arrematar, foi acertado que a mãe do garotinho loiro e pobre de dar dó será interpretada pela fofa Helena Bohram Carter. É a mulher do diretor? É, não dá pra mentir. Mas se é para colocar seus parentes no elenco, que eles tenham a graça e a competência dessa moça. Os diretores de novela da Globo fazem isso o tempo todo, oras. E olha que suas garotas não são lá uma Helena... Agora que sei disso tudo, durmo imaginando o que Burton fará com os cenários e os diálogos. Terá um rio de chocolate? Se tiver, ele parecerá mais com o doce em si ou com aquela água suja usada no filme de 1971? E vai haver a minha fala predileta? Tomara que o Sr. Wonka diga, mais uma vez, que "se o bom deus quisesse que andássemos, não teria inventado os patins de roda". Mal posso esperar. De novo.
Ele está cada dia mais anormal... Um perfeito Wonka, hã? |
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