terça-feira, 13 de julho de 2004

De cartola e bengala, ele vai voltar!

Foi dada a partida para o remake da década. Conforme avisou a assessoria de imprensa da Warner Brothers, a nova versão de "A Fantástica Fábrica de Chocolate" já está em produção – tendo o talentoso, criativo e malucão Tim Burton no comando do projeto. Desde que o Garotas entrou no ar, muitos me perguntam coisas sobre o filme e, mais recentemente, sobre o que eu acho de refilmarem o clássico. Hoje, eu digo.

Não é segredo para ninguém: "A Fantástica Fábrica de Chocolate" é meu filme predileto no mundo todo. Pode não ser a melhor comédia, o melhor infantil ou coisa assim, mas é o que mais me traz boas lembranças – e isso importa na hora de escolher sua produção preferida. Por isso mesmo, assim que soube da intenção de uns e outros em reeditar o dito-cujo, gelei. Torci o nariz e enfiei na cabeça que isso não ia acabar bem. Sou a favor de deixar o que é bom descansar em paz, sabem?

Mas, com a notícia ganhando vulto, mudei radicalmente de idéia. Inventar é bom, reiventar pode ser melhor ainda! Afinal de contas, essa é uma das premissas do próprio Sr. Willy Wonka, o gênio máximo. Meu drama interno era: como conseguirão os produtores resgatar tanta magia e atores que sejam, no mínimo, tão bons quanto os antigos? Como achar alguém no mesmo patamar doce-pirado-de-carteirinha como Gene Wilder??

Pois acharam. Acharam tudo. Tim Burton sabe encontrar o ponto certo entre fantasia, delírio e realidade crua. Veja o currículo: "Peixe Grande", "A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça", "O Estranho Mundo de Jack", "Marte Ataca", "Edward Mãos de Tesoura" e dezenas de outros. Lá no mundo da imaginação, ele é um visitante consagrado e, suponho, costumaz.

A notícia de que Tim seria o comandante-em-chefe me animou bastante. Faltava ter certeza sobre alguns outros pontos. O dono da fábrica, por exemplo. Nicholas Cage, o primeiro cogitado, seria um Wonka deprimente – me arrepiou a espinha. O segundo nome que apareceu, porém, acendeu uma luz aqui: Johnny Depp era (é) a escolha mais que perfeita.

Desde o romancezinho "Benny e Joon" (1993), eu sou fã desse moço. Claro, já achava bom ator antes, mas ali ele conquistou meu pequeno coração – principalmente quando, imitando Carlitos, faz a dança dos pãezinhos espetados nos garfos. Como Willy Wonka, Depp deverá render tão bem quanto o Mestre Wilder, pois é ator perfeito para fazer graça ou drama (e para misturar ambos) como o antecessor.

Também fiquei feliz em saber que o roteiro não seria uma continuação do original. O adorável livro de Roald Dahl será de novo a base da história. Portanto, as mesmas crianças maliciosas e mesquinhas estarão lá – como ver a fábrica sem contar com as ilustres e nojentas presenças de Augustus, Violet, Veruca e Mike Teevee? O Charlie, é claro, teria que comparecer. Afinal, é herdeiro daquele empreendimento cheio de homenzinhos verdes operários.

Para arrematar, foi acertado que a mãe do garotinho loiro e pobre de dar dó será interpretada pela fofa Helena Bohram Carter. É a mulher do diretor? É, não dá pra mentir. Mas se é para colocar seus parentes no elenco, que eles tenham a graça e a competência dessa moça. Os diretores de novela da Globo fazem isso o tempo todo, oras. E olha que suas garotas não são lá uma Helena...

Agora que sei disso tudo, durmo imaginando o que Burton fará com os cenários e os diálogos. Terá um rio de chocolate? Se tiver, ele parecerá mais com o doce em si ou com aquela água suja usada no filme de 1971? E vai haver a minha fala predileta? Tomara que o Sr. Wonka diga, mais uma vez, que "se o bom deus quisesse que andássemos, não teria inventado os patins de roda".

Mal posso esperar. De novo.

Johnny.jpg
Ele está cada dia mais anormal...
Um perfeito Wonka, hã?
Fla Wonka às 02:39 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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