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Aos leitores, com carinho Hoje eu sei como o doutor Frankstein sentiu-se quando viu sua criação caminhando com as próprias pernas e ganhando o mundo. Sim, porque Frank era o cientista e não a criatura, como muitos pensam. Mas isso não vem ao caso: o fato é que nos enche de orgulho ver o nosso monstrinho – ou pelo menos uma parte dele – começando a andar sozinho. Aposto que muita gente acha hipocrisia quando afirmamos com todas as letras que, quando criamos o Garotas, não esperávamos nada em troca. Simplesmente começamos a fazê-lo pela própria necessidade interior de escrever livremente. Os leitores poderiam nunca vir, como acontece com um monte de sites nessa sopa de letrinhas que é a Internet. Ou poderíamos cansar e desistir de tudo no primeiro mês. Estávamos (e estamos) no espírito de “o que vier é lucro”. Claro que eu não me refiro a lucro financeiro, como você já deve saber. Ultimamente ando lendo em muitos blogs pequenas insatisfações a respeito do trabalho não-remunerado. Quem mantém um espaço com textos de qualidade acaba tendo a mesma indagação cedo ou tarde: qual o propósito em rachar a cachola à procura de um tema legal, escrever uma crônica bacana e publicar em um espaço bem cuidado com uma certa periodicidade se não ganhamos nenhuma lasca em troca? Olha, se dissermos que a dúvida nunca passou pelos macaquinhos no nosso sótão, estaríamos mentindo. Principalmente pela insanidade de colocar uma trinca de textos diariamente. Confesso que a idéia foi minha – mas ei, lembre-se de que eu e as meninas não contávamos com sua presença aí do outro lado. É, você. Você veio e nos obrigou a seguir cumprindo essa rotina pauleira que ainda assusta muita gente. “Como vocês conseguem?”, todos perguntam. Não sei. Agora é tarde para sequer pensar, quanto mais voltar atrás. Após dez meses na ativa apenas com o Garotas, decidimos criar um fórum de discussão. Novamente, o complexo de “ah, se tiver um ou outro participante, já está bom” – principalmente porque o funcionamento do espaço é complicado (e nós complicamos ainda mais, enchendo de categorias específicas) e... bem, ler é uma coisa, escrever e trocar idéias é outra. Muitos leitores entram no site e saem em seguida, sem vontade de discutir o assunto. Mas muitos outros resolvem embarcar na brincadeira – até o momento, 584 malucos, para ser exata. A esta altura, alcançamos o objetivo: o fórum já não nos pertence. Como a criatura do doutor Frank, ele tem vida própria – só é mais bonito e menos lerdo que o monstro de retalhos. Aliás, lerdo é o que o monstrinho não é. O danado é tão rápido que há muito eu mesma já não consigo acompanhar. Culpa da comuNIdade, como apelidou a Clara, que não deixa o espaço ficar parado. Jamais. Outra conseqüência, porém, aconteceu. Para a nossa imensa alegria, os participantes ficaram amigos de verdade. Gente de todas as idades e de todos os lugares: São Paulo, Florianópolis, Estados Unidos, Fortaleza, Alemanha, Campinas, Salvador e até Finlândia! Hoje, conversam dentro e fora daquele espaço e estão formando um laço bem bonito entre eles. A celebração disso tudo aconteceu no último sábado. O trio parada dura composto por Rafaella, Monica e Muta organizou um encontro entre os usuários. A nós três, cabia a única responsabilidade de comparecer. O monstrinho é tão independente que eu precisei descobrir inclusive qual o local da festa antes de sair de casa. Das 22h às 2h30 da manhã, período em que fiquei de bobeira por lá, fui testemunha de cenas emocionantes. O que mais vi foi gente que nunca tinha se encontrado pessoalmente conversando como se todos fossem velhos camaradas. Coisinhas particulares também me comoveram. Monica nos convidando para um almoço equatoriano na casa dela, Raquel dizendo o quanto o Garotas e o fórum ajudam a suportar a saudade do Brasil enquanto está em Michigan, Quinho pedindo com as mãos unidas para a gente não parar de escrever – entre outros momentos de outros presentes. Por isso é que decidi que meu texto de hoje seria um agradecimento – de nós três, com certeza. Obrigada. Vivi Griswold às 10:56 AM |
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