quinta-feira, 1 de julho de 2004

Is (not so) good to be...

Existe um programa do canal a cabo E! chamado “Is Good To Be”. Ele conta “como é bom ser” várias celebridades – por causa de sua ascensão monetária. Por exemplo: Demi Moore foi garçonete, Jennifer Lopez era pobre de marré-marré-marré... Mais tarde, porém, elas aumentaram em alguns milhões suas contas. Mas se o trio hoje conhecido como Garotas Que Dizem Ni ficasse famoso a ponto de aparecer no E!, um novo show precisaria ser lançado: “Is Not So Good To Be”. Nosso gráfico financeiro só mingua, impressionante.

Passado um mês e meio do fatídico Prêmio iBest, finalmente eu me sinto à vontade para dizer: cruzes, como foi decepcionante! Muitos nos perguntaram por que tanta sanha de conquistar um prêmio considerado marmelada pelo mundo afora. Eram vários motivos: o site ganharia mais visitas, ficaria mais conhecido, traria novas possibilidades. E ainda tinha o dinheiro, muito bem vindo para três moças que vendem o almoço para comprar o jantar.

Não foi daquela vez. Após oito meses de campanha, reuniões para traçar metas e imaginação voando alto, o concurso rendeu... menos 15 reais em conta. Esse era o preço exorbitante para estacionar o carro no evento. Vou contar para vocês: somos mesmo muito cuca-fresca, porque só assim para rir do ocorrido como fizemos (depois de um dia de emburramento meu e da Clarinha, evidente. A Vivi superou quase imediatamente o baque, mas a gente acha que ela é monja).

O caso iBest, porém, é só a ponta do iceberg quando se trata das finanças de nossa “mico-empresa”. Já virou tradição comentar entre nós mesmas como esse desapego é violento. A Época nos contratou para fazer uma coluna, mas sempre atrasamos para levar a nota fiscal – e, conseqüentemente, eles atrasam o pagamento. Devem pensar, lá no Departamento de Bufunfa da Editora Globo, que somos milionárias e escrevemos por esporte...

Negociar aumento é outro problema. Quando se trata de valorizar o próprio esforço, Garotas Que Dizem Ni costumam voltar vinte anos no tempo e se comportar como menininhas de pré-primário. Torcemos as mãos, reviramos os olhos, ficamos de bochechas coradas. Devemos ter sangue de pobre, porque querer dinheiro parece pecado no nosso jeito de ser e viver.

Só depois de superar um pouquinho a vergonha, começamos o discurso “bom, o senhor veja bem, quem sabe não seria o caso de... não entenda mal, mas... talvez, se for possível, queríamos uma verba extra... Nós somos três, entende?”. A essa altura, o interlocutor já se cansa e diz logo “tá bom”. E qualquer valor equivalente a um saco de amendoins nos deixa nas nuvens!

Ninguém faz idéia de quanto tempo precisamos parlamentar até decidir, meses atrás, quanto pedir de cachê por uma palestra no interior de São Paulo. Depois de consultar deus e o mundo, fazer conta, somar, dividir e checar o preço do hotel, passamos o valor para a contratante. Existe a possibilidade de ela estar rindo da nossa cara até hoje? Existe. Mas fazer o quê? Pecamos pela modéstia, mas nunca por sermos mercenárias.

“Cobrar” é quase palavrão para mais alguém além de nós? Porque vários amigos ficaram surpresos ao saber sobre a festa de um ano do site, em abril. Todas as invencionices – como saquinhos-surpresa, balões de gás hélio e faixa de saudação na porta – saíram do nosso bolso. Custou caro, mas nossas mães já diriam: mais vale um gosto que dinheiro no bolso. E isso nós entendemos e assinamos embaixo.

Como diz o irônico título deste texto, pode “não ser tão bom assim” ser parte das Garotas Que Dizem Ni. Não recheia cofres, isso é certo. Mas traz diversão e contentamento em tamanha quantidade que nem sei medir. E do dia que inventarem um programa mostrando quem tem mais riqueza de satisfação no show-business, daí sim nós queremos estar lá.

Fla Wonka às 01:54 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold