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Ícones, sabão e o caso da camisa xadrez Lavar roupas pode ser uma verdadeira aventura. E olha que eu tenho máquina de lavar – um aparelho que supostamente devia fazer tudo. Pelo menos é o que eu achava: basta jogar lá dentro, despejar um tanto de sabão e um pouco de amaciante e voilà!, tirar e pendurar no varal ou enfiar na secadora. Ledo engano. Lavanderia é uma arte muito, mas muito complexa. Vão por mim. Primeiro, tem a indecifrável separação das roupas por lavar. Minha mãe resumiu: “uma pilha de peças pretas, uma de brancas, outra de coloridas; toalhas e panos de cozinha sempre separadamente, assim como panos de chão; peças delicadas, lavar na mão”. Parecia tudo mais ou menos simples, até que topei com uma camisa de estampa xadrez preto-e-branco, com quadradinhos escuros no mesmo número e área que os claros. E agora? Isso é preto ou branco? Caiu por terra a aparente simplicidade da explicação. Mas, como diriam aquelas propagandas de venda pela TV, não é só! Ainda tem a questão das peças delicadas. Quem já esfregou roupa na mão sabe que saco é a tarefa – a não ser que você esteja tentando fortalecer os músculos abdominais e os braços num tratamento de choque. Por isso, quero que o conceito de “peça delicada” fique claramente definido: assim, posso enfiar na máquina tanta roupa quanto possível. O jeito é fazer testes – e, é claro, estragar algumas coisinhas no longo caminho do aprendizado via tentativa-e-erro. Ou acerto. E a história da roupa de cozinha ir separada? Tem idéia do impasse que isso pode virar numa casa com dois moradores? O máximo que consigo ter acumulado no final de semana é uma toalha de mesa e uns dois ou três panos de prato. Dá dó (e é um desperdício) gastar água num ciclo da máquina para meia dezena de peças. Por outro lado, tirar gordura e manchas de shoyu (tempero de saladas favorito aqui em casa) na mão é missão para super-heroínas do lar, patamar que não alcancei. Tentei buscar alguma luz nas etiquetas das roupas, que deviam servir para algo além de cutucar impiedosamente nossa nuca ou o ladinho da barriga. Diz que tem instruções ali. E tem mesmo; o problema é decifrá-las. Quando as regras de lavagem não vêm enunciadas por extenso – coisa que só é possível quando as etiquetas são enormes e, portanto, estorvam ainda mais –, estão codificadas em estranhos ícones misteriosos. Trata-se, portanto, de escolher entre a perturbação de um etiquetão e instruções claras de lavagem ou uma discreta etiquetinha e a eterna ignorância de como tratar aquela peça, já que as regras para lavá-la virão na forma de desenhos em sua maioria indecifráveis. A figura de um ferrinho de passar eu entendo: pode passar a ferro. Um ferrinho com um xis em cima, ok também: não pode passar a ferro. Uma tininha com a inscrição 40o sobreposta, tá beleza: lavar em água até 40o centígrados. Agora, por Deus, o que diabos quer dizer quando a etiqueta tem uma bolinha? E um triângulo? E um quadradinho com uma bolinha dentro? Fica parecendo uma folha de atividade do pré! Atormentada por tais questões, apelei ao sêo Gúgol e, como sempre, encontrei uma resposta. Baixei o Manual do Consumidor Hering, onde mui solicitamente eles listam todos os símbolos de etiquetas e os desvendam. Então percebi que eu sabia ainda menos do que imaginava: há ferrinhos de passar diferenciados, de acordo com o número de pontinhos que está impresso dentro deles! É melhor imprimir uma cópia e pregar na lavanderia. E passar a reverenciar as lavadeiras como verdadeiras artistas. ![]() Será o nome do namoradinho de pré-adolescência, escrito em código no diário? Não, são só os símbolos das etiquetas de lavagem |
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