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Acaba logo com essa novela! Como eu já disse por aí, sou uma garota de finais. Não tenho disposição suficiente para ver um jogo de futebol inteiro – nem durante a Copa –, a não ser que a partida em questão seja final de campeonato. Assim como não tenho paciência suficiente para ver uma novela inteira desde “Vamp”, a última que “acompanhei” (como dizia minha avó, que não assistia novelas, mas sim as acompanhava). Porém, último capítulo das tais é comigo mesmo! Não sei se fui eu que encontrei novos interesses e horizontes e desenvolvi um bocadim mais de senso crítico ou se a qualidade desse produto de exportação nacional caiu mesmo. Mas o fato é que desde a divertida avacalhação vampiresca escrita por Antonio Calmon e dirigida por Jorge Fernando não encontro saco disponível para ver toda aquela enrolação – que, como é sabido, vai terminar do mesmo jeito. Assim, desenvolvi a portátil técnica de assistir alguma coisa dos primeiros dias, pular todo o recheio e esperar até chegar logo o que interessa: o último capítulo. O problema com essa tática é o distúrbio que causo na minha irmã, noveleira de carteirinha, ao ficar perguntando o tempo todo coisas do tipo “mas por que ele está casando com ela?” e “de quem é esse bebê que a moça tá esperando?”. Apliquei esse truque com “Celebridade”, a embromação mais recente do horário das oito, que fechou sua trama sexta passada – com a tradicional reprise no sábado, claro. A semana inteira houve um bombardeio da mídia para fazer pegar a pergunta “quem matou Lineu?”, reciclada da inesquecível “quem matou Odette Roitmann?”, surgida na época da genuinamente notável “Vale Tudo” – não por coincidência, novela do mesmo autor, Gilberto Braga. Pensei com meus macaquinhos: “bem, ‘Vale Tudo’ terminou com um vilão se dando bem (quem se esquece do Reginaldo Faria a se mandar, despedindo-se do Brasil com uma banana?). Quem sabe o sêo Gilberto não repete a corajosa tática e se redime dessa encheção de lingüiça?”. Má quê! “Celebridade” terminou como todas as outras: dois casamentos, dois vilões mortos, um preso e as personagens de valores duvidosos, mas não malvadas o suficiente para serem categorizadas como vilãs, encontrando a redenção e a recompensa depois de muito sofrimento. Resumidamente, a Laura matou o Lineu; o Renato matou a Laura e o Marcio Garcia; o Guma ficou com a Duda (aka Maria Clara); o bombeiro casou com a Deborah Secco e a Juliana Paes se arranjou bem com um dos primeiros negros de novela que não era mordomo nem motorista; o roitmann da vez Alexandre Borges casou com a mulher que, bem, já é mulher dele mesmo. Que bela porcaria. Se sou eu a responsável por essa novela, mato o Guma e faço a Maria Clara e a Laura se apaixonarem, dividindo a casa, a fama e a filha para criar. Mando o Renato acabar como apresentador do “Fama” (o programa, não a revista. Não imagino castigo pior) e o Marcio Garcia fugir com as duas alpinistas sociais gostosas para o Caribe. E deixo o bombeiro bonitão virar pivô da separação de uma modelo-e-atriz dos anos 80, agora casada há anos com um empresário e cuja ocupação maior é ser madrinha de bateria no Carnaval. Ôpa. Peraí. Acho que isso já aconteceu.
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