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Isso está me cheirando a... Memória olfativa é o termo usado pelos sapientes cientistas e estudiosos para definir aquelas lembranças detonadas por um cheiro. Eu sei, parece estranho, mas pense comigo: quando você sente cheiro de massinha ou giz de cera, não se lembra do pré? E cheiro de feijão cozinhando ou frango no forno, não lembra almoço de domingo? A memória olfativa é muito poderosa – pelo menos no meu caso. Desinfetantes baratos me lembram a escola. Naftalina me lembra a casa da minha avó, que guardava essas misteriosas bolinhas brancas (principal exemplo do fenômeno da sublimação nos livros didáticos de Ciências e Saúde) em tudo que é gaveta. E aquele cheiro de química de revelação fotográfica me lembra o dia em que perdi uma amiga querida – eu estava no laboratório de foto da faculdade quando recebi a notícia. Incrível como o olfato é capaz de marcar uma lembrança e torná-la indelével na cachola. Mais impressionante ainda é a verdadeira viagem no tempo que um simples cheiro é capaz de causar. Quando meu nariz se depara com um desses odores, aquela técnica televisiva da “fumacinha da memória” parece acontecer na vida real. É como se eu vivesse de novo nos dias do pré ou escarafunchada no quarto de costura da casa da minha vó, alinhavando botões. Notei também que cada momento do dia tem um cheiro, pelo menos quando você circula entre as casas da vizinhança – estejam elas grudadinhas umas às outras, feito aqui no condô, ou perfiladas na rua. As manhãs costumam cheirar a café e novidade, pelo menos cá em casa e no ao-redor dela. Na casa da minha infância, também cheiravam a sabão em pó e amaciante – era a hora em que minha mãe ou a nossa inesquecível secretária do lar Berenice lavava roupas. O almoço chega com cheiro de feijão cozido e crianças perfumadas e uniformizadas indo à escola. Às vezes, a fumaça de um bife frito e cebolas tinindo num refogadinho com manteiga também atingem a minha janela. O fim da tarde tem um cheiro de sabonete, mas não aquele odor da peça em si: o esquema é o cheiro de banho; sabonete misturado a xampu, os dois embalados nos vapores da ducha quentinha. Noites de verão, para mim, têm cheiro de baunilha ou flores. Não espanta minha preferência por essa estação – da qual já sinto saudades. E a madrugada me cheira a mistérios, cigarro e idéias malucas. As pessoas também têm um cheiro específico – não só as que usam perfumes, tampouco só as que não conhecem aquele facilitador da convivência chamado desodorante. As casas, então, nem se fala! Afiem o nariz e descubram. O olfato pode ser um sentido muito útil para quem gosta de lembrar, como eu. É amanhã! A Campanha de Doação de Sangue, bolada pelos queridos leitores do Fórum, rola amanhã. Tudo que você tem de fazer é estar lá no Pró-Sangue do Hospital das Clínicas para ajudar gente que precisa - e muito - da sua força. Mais detalhes, aqui. Vamos todos sentir um pouco daquele cheiro de hospital, mas é por uma óóótima razão! Clara McFly às 07:39 PM |
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