sexta-feira, 25 de junho de 2004

Daqui ninguém me tira

O plano estava perfeito: sairia de férias na quarta-feira rumo a Ouro Preto, Minas Gerais, para cinco dias de passeios históricos e chiliques de fotografia (este último por conta do namorido). Para isso, precisava apenas adiantar três textos do Garotas e ir despreocupada. Faltou um – o de hoje, que eu prometi escrever de alguma lan house perdida entre as ladeiras.

Por que o plano foi por água abaixo? Porque eu não consigo escrever direito aqui. Olhando para fora deste local pequenino com quatro computadores, uma bancada de doces e internet a cinco reais a hora, vejo uma rua de paralelepípedos e um casarão iluminado por alguns lampiões – são 18h de quinta-feira, 24 de junho, dia de São João.

Conhecer Ouro Preto estava entre os itens da minha lista “coisas para se fazer antes de morrer”. Apesar de paracer tarefa das mais fáceis, curiosamente acabei conseguindo ver um show do Morrissey e ir ao Egito (outros itens essenciais) antes. Toda vez em que eu planejava vir até a cidadezinha mineira alguma coisa dava errado. Desta vez, nada deu errado. E, até agora, tem dado certo até demais.

Quando chegamos ao hotel ontem à noitinha quase caí de joelhos ao ver a vista do quarto, nada menos que a uma panorâmica do centro histórico, incluindo a praça Tiradentes. A janelinha do chuveiro acompanha o visual, e eu nem consigo me ensaboar direito com tudo aquilo para ser admirado.

O café-da-manhã teve cada um de seus componentes devidamente apresentados pelo dono do hotel, com aquele sotaque inimitável. Como estamos em baixa estação, somos o único casal do lugar. Haja mimo. E haja bolo de fubá, geléia de pitanga, queijo fresco, pão sovado. “Tudo da roça”, disse o senhor, um artista plástico que vive com um cão chihuahua debaixo do braço. Depois de encher a pança e planejar minha fuga rolando as escadas, lá veio ele novamente tentando empurrar “mais um queijinho”.

Após a caminhada e a visita em todos os monumentos, saiu um sol quentinho e eu me sentei voltada às montanhas. Naquele momento, pensei: “daqui ninguém me tira”. Pronto, não quero ir embora. Vou comprar uma casa caindo aos pedaços e passar o resto da vida olhando a vizinhança passar pelo janelão de vidro grosso (aparentemente, é o que fazem todas as Mirtes da cidade). Vou comer só feijão tropeiro e torresminho, em porções capazes de satisfazer um refugiado de Kosovo.

Com essa espécie de pensamento em vista, meu texto de hoje foi para o beleléu. Ficou em São Paulo, talvez. O clima em Ouro Preto está mais para ficar com a perna para cima e olhar o pôr-do-sol. Aliás, o que estou fazendo nessa lan house mesmo?

Até a volta, leitor. Ou não.

ouro.jpg
* * * * * *

Vá fazer uma visitinha!

Tudo bem: vai ver visitar o banco de sangue em pleno sabadão não seja tão divertido quanto passear pelas vielas de uma linda cidade histórica... Mas faz uma diferença danada na vida de muitas pessoas. Por isso que amanhã, sábado, dia 26 estaremos participando da Campanha de Doação de Sangue criada por adoráveis cidadãos participantes do Fórum do Garotas. Clique aqui e venha fazer um passeio pra lá de importante!

Vivi Griswold às 09:47 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold