sexta-feira, 18 de junho de 2004

O que eles têm e nós não temos?

Um dos seriados mais famosos, populares e bem sacados da tv está em vias de cantar para subir. Depois de dez anos, Chandler, Joey, Mônica, Phoebe, Rachel e Ross vão deixar a telinha e levar consigo suas criancices tão divertidas. Carregarão, também, a amizade enorme que existe entre eles. Se bem que, vou dizer: não conheço gente de verdade que tenha aquele tipo de relação, não.

Desde pequeninos nossas mães nos mandam ser comportados em casa alheia e educados com os coleguinhas. Vez por outra escapa um beliscão aqui ou um brinquedo afanado ali, mas em geral o conselho é seguido. As genitoras dos personagens de “Friends” não usavam essa cartilha, por certo. Os sujeitos são espaçosos, sarristas, capazes de invadir a privacidade alheia em um minutinho. Adoravelmente, escapam do limite utilizado pela Humanidade em geral.

Vai ver foi daí mesmo que veio o imenso sucesso da série. Ninguém tem amigos viscerais como aqueles, então aproveitamos da situação para nos sentir parte da gangue. Bom, eu me incluo nesse grupo: eu juro que tento, mas ninguém aqui em casa se dispõe a abrir uma vez a geladeira e reclamar do conteúdo! Além disso, meus amigos bem podiam apostar nas demais premissas de “Friends” que só existem na realidade da televisão.

Não ter cerimônia
Meus camaradas recebem o recado logo na chegada: a casa é deles. E olha que não digo da boca para fora. Aqui, como em todas as casas onde morei, sempre dei liberdade total aos amigos. Mas ninguém usa a regra de fato! No seriado, porém, eles invadem aposentos e apanham quitutes uns na casa (e na cara) dos outros a toda hora. Isso não acontece em lugar nenhum, vai? A não ser para um amigo do meu irmão, que adorava entrar na cozinha de outro moleque da rua e dizer ao pai dele: “e aí, véio, tem uva?”. Esse podia trabalhar em “Friends”.

Nunca se magoar com bobeira
Em turma, é comum acontecer vez por outra. Um faz comentário mais agressivo, o outro magoa. Daí fica um certo diz-que-me-diz velado – logo passa, mas que fica, fica. Lá na tv, amigos não levam nada a sério. Já vi as meninas entrarem em briga de puxar cabelo, mas tudo acabar em abraço. Bom, o programa é muito curto, não daria tempo de contar tantas histórias paralelas e ainda resolver picuinha. O que me lembra outro ponto...

Fazer problemas passarem em 30 minutos
Seja sobre dinheiro, relacionamento, trabalho ou família: passados dois períodos de 15 minutos, tudo deve entrar nos eixos. No começo da série, Rachel ainda não era uma brilhante profissional da moda, mas uma garçonete dura. Apesar disso, sempre freqüentava restaurantes e morava naquele sonho de apartamento roxinho! Droga... os meus amigos gastam mais do que podem em uma semana e passam oito meses no vermelho por isso.

Pensando bem, essas coisas não acontecem entre amigos, mas acontecem entre irmãos. Uau! Quando “Friends” acabar, Chandler, Joey, Mônica, Phoebe, Rachel e Ross bem poderiam começar a gravar “Brothers”! Não? Que pena...

Friends.jpg
Você tira foto assim com seus amigos??? Opa!
Fla Wonka às 01:21 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold