|
||||||||||
|
||||||||||
O mestre dos magos Diretor de cinema, por definição, é um sujeito pirado e de muita sorte. Sorte e ousadia, porque convencer 400 pessoas alojadas em uma sala escura de que sua obra é especial, e não mais uma bobagem cinematográfica, é tarefa para poucos. Existiu um membro dessa classe capaz não só de abismar multidões, mas também de nos fazer crer que ele era um verdadeiro mágico. Alfred Hitchcock nunca tirou coelhos da cartola, que eu saiba – fez, sim, muito melhor do que isso. Tio Hitch, na verdade, não era só um habilidoso contador de casos. Era um perito em técnica de cinema. Sabia como funcionava todo e qualquer equipamento de seu set de filmagem e, por isso mesmo, como extrair o melhor efeito deles. Foi assim que seus filmes ganharam multidões: não era apenas uma questão de bom roteiro, mas também de apresentá-lo em um formato perfeito. Originalidade era o lema de Alfred. O homem não poderia ter nascido em outra data: 13 de agosto de 1899 (tem o espírito do “cachorro louco” ou não?). Trinta anos depois, ele já era conhecido em altas rodas de cinema inglês, considerado o jovem diretor mais promissor e bem pago do mercado. Não é isso, porém, que importa quando se botam os olhos sobre os filmes do meu diretor predileto. Mesmo que você aí do outro lado não seja um admirador (ainda), tenho certeza que o estilo de Hitchcock pode te conquistar. Para quem presta atenção em detalhes de cenário ou em cortes da edição, o estilo do gorducho senhor fica ainda mais apetitoso. Mas quem não dá a menor pelota para esse tipo de fixação –cine-nerd também pode se divertir nas obras. Uns morrem de medo dos acontecimentos, outros acham tudo aquilo balela, um exagero. É mesmo exagerando! Daí a graça: parece que estamos em um sonho, acompanhando situações bizarras mas perfeitamente possíveis de acontecer. Ou você não acredita que seu vizinho de fundo pode dar cabo da própria esposa? É isso o que acontece em “Janela Indiscreta” (1954), um dos melhores momentos de Alfred H. O fotógrafo interpretado por James Stewart está entrevado em casa com a perna engessada. Pela janela, ele observa mexeriqueiramente tudo o que se passa com a vizinhança. Até que sua pseudo-namorada (Grace Kelly, mais linda do que em toda a vida) sugere: o homem que vive no prédio em frente está com comportamento suspeito e parece ter passado a esposa desta para uma melhor. O que poderia ser uma história boba, de telefilme safado exibido no Corujão, virou um clássico. Na minha opinião, por causa da mão do diretor. É só reparar no clima de terror e agonia que vai crescendo durante a trama. O aleijado descrente passa a ficar atormentado, a garota rica e fútil mostra-se corajosa e leal. Tudo acontece aos poucos, e quando você vê está mordendo a almofada de desespero. Poucos conseguem fazer isso com o público, eu acho. O bom é que Hitchcock não pára por aí. Se quiser suar frio e ter uma noite de cinema com C maiúsculo, sugiro que vá buscar essas pérolas. Andam em baixa nas locadoras, mas isso é para quem não sabe ver. Psicose (1960) Um Corpo que Cai (1958) O Homem que Sabia Demais (1956) Festim Diabólico (1948)
Além de tudo, o gordinho era adorável nos bastidores Sangue com valor Hitchcock podia usar chocolate para fingir de sangue, mas os hospitais, infelizmente, não. Doar sangue é um dos atos que demonstram mais amor ao próximo hoje em dia. Nós aqui do Garotas estamos em campanha. E você pode e dever vir mostrar seu amor conosco! |
![]() |
|||||||||
![]() |
||||||||||