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The funk phenomena Eu tenho uma teoria muito particular sobre o funk. Já adianto que não sou profunda entendedora da história da música, embora adore o assunto. Some-se a isso minha inefável disposição para criar teorias bizarras e perdoe a indiscrição (ou até mesmo a heresia) quando eu digo: para mim, o funk carioca é um paralelo do movimento punk. Calma. Não me atirem latinhas. Deixa eu explicar: assim como o punk, o funk carioca prega o faça-você-mesmo e a filosofia “não precisa saber tocar ou cantar para fazer música”, certo? Ou uma base chupada do Front 242 acrescida da letra “vou passar cerol na mão, vou sim, vou sim” é um exercício musical refinado e fruto de anos de estudo da teoria? E o que dizer da sensacional poesia do hit “Elas Estão Descontroladas”, que guardo com carinho em mp3 nesse mesmo computador de onde escrevo? A letra se resume basicamente a “Elas bate (sic), elas gira (sic), elas dão uma rodada/ Elas estão descontroladas”? Saber fazer música, no sentido mais tradicional da palavra, poucos ali sabem. Mas nem por isso acho menos divertido – muito pelo contrário. Aí, os chatos de plantão vão dizer: “é, mas os bailes funks são um centro de prática de sexo não-seguro, disseminando doenças e promovendo a gravidez na adolescência”. Bom, eu nunca fui a um baile funk (uma pena), mas sei que custam poucas lascas para entrar. Assim, não dá para negar que tais eventos sejam, também, uma maneira barata e saudável (tirando a parte do sexo sem prevenção) de se divertir. Ou vocês acham que todo brasileiro tem quinze pilas mais a grana do estacionamento para ir ao cinema todo final de semana? Mas voltemos aos paralelos entre o movimento musical dos três acordes e a onda que tem entre seus expoentes a Mãe Loura e seu rebento de voz irritante, o Jonathan. Assim como o punk cantava a realidade da classe operária mais politizada, o funk dá voz a uma leva de gente sem muitas perspectivas, que tá vendendo o almoço para comprar a janta – e naturalmente reflete em seus temas o dia-a-dia dos seus autores, chegados a uma válvula de escape que é a pura e simples diversão. É machista? Sim, não vou mentir para você. É sexista? Também. Mas lembrem-se de que o funk nasceu de uma classe que não tem lá muitos subsídios culturais formais. Woman is the nigger of the world, dizia John Lennon. E as mulheres pobres, então... Nem se fala. Nesse ponto, o estilo musical apenas reflete a realidade – que, é claro, deve ser mudada. Não nego que ainda me espanta um bocado, por exemplo, ouvir um garoto de seis ou sete anos cantar que já está crescendo, cheio de emoção, e logo vai descolar “um filé com um popozão”. Se é meu filho, leva tapa na boca. Enfim. O funk carioca não é meu ritmo favorito, mas acho muito cômodo achincalhá-lo por completo quando você vê tudo de longe. Pode ser divertido ouvi-lo eventualmente. Afinal, onde mais eu encontraria letras como “dança da motinha, as popozudas perde (sic) a linha”, “se o destino adjudicar, vamos nos encontrar logo mais” e “um tapinha não dói” – embora aquele homem com voz cavernosa gritando “só um tapinha!” sempre me faça crer que a pobre e desafinada moça não vá levar só um tapinha? E aê, sangue-bom? Nem só de lembranças, piadas e textos vive o Garotas – ou melhor, os leitores do Garotas. Olha só que bacana: de uma idéia nascida no Fórum, eis que está no ar a campanha de doação de sangue. É importante para um monte de gente e é fácil para cada um fazer sua parte. Confira aqui os detalhes e junte-se a nós! Clara McFly às 07:18 PM |
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