segunda-feira, 14 de junho de 2004

Querida, cheguei!

Há milhões de anos, eles dominaram a Terra. Eram senhores absolutos do planeta e não davam chance para nenhum outro tipo de animal. Sumiram de maneira ainda não esclarecida até hoje, apesar das múltiplas teorias que tentam explicar seu desaparecimento. Mas sempre que ouço falar em dinossauros, em vez de monstros ameaçadores e predadores certeiros, a idéia que faço é de uma família atrapalhada, com um bebê perverso e fofinho.

Isso é culpa do excelente seriado “Família Dinossauro”, exibido por aqui primeiramente na tela da Globo e, mais recentemente, pelo SBT. Produzido de 1991 a 1994, o programa combinava personagens cativantes a um humor que podia ser apreciado tanto por um inocente petiz quanto pelos mais crescidinhos – que pegavam a ironia e a crítica ao modo de vida contemporâneo destilada nos episódios.

Dino era casado com Fran e tinha três filhos: o adolescente Bobby, a pré-adolescente Charlene e o pequerrucho Baby. Outras figuras cercavam a vida da família, como o tio Roy, a sogra de Dino e seu chefe. Eles fizeram meus almoços (enquanto estavam na Globo) e algumas das minhas tardes (já no SBT) mais divertidos. E reúno aqui sete razões que fazem da “Família Dinossauro” um programa sem igual.

O sobrenome da família
Na versão original, o patriarca da trupe chama-se Earl Sinclair. Por aqui, o clã ganhou o simpático sobrenome Silva Sauro – e o chefe da família foi rebatizado como Dino – Dino da Silva Sauro. É uma rara ocasião em que a tradução ficou ainda mais bacana que o original.

O programa favorito do Baby
Uma espécie de mágico se apresentava, fazendo as mais absurdas experiências com um voluntário – provas como saltar de uma altura de 130 metros num copo d’água. O pobre do voluntário chamava-se Jimmy. E, quando tudo dava errado e o moço se estropiava, o apresentador sacava da frase: “Ih, acho que vamos precisar de outro Jimmy!”, para total delírio do Baby.

As entradas de Dino
O patriarca nunca conseguiu o afeto do caçula da família, que sempre batia nele com uma frigideira, aos berros de “Não é a mamãe!”. Mesmo assim, Dino chegava em casa após o trabalho repetindo a infalível e sensacional frase “Olá, minha família que me ama!”. Adivinhem qual a primeira coisa que falo quando chego em casa?

O nome da empresa
Dino trabalha derrubando árvores para a companhia com o melhor nome que eu já vi: “We Say So” ou, como ficou traduzido, “Nós Dizemos que Sim”. Partindo do princípio que a firma derrubava árvores a torto e a direito, sem se preocupar com o meio-ambiente (e quem se preocuparia com isso no jurássico?)), a graça é perfeita.

A previsão meteorológica
O homem do tempo aparecia diante de um mapa com... a Pangéia! Sim, aquele único blocão de terra do qual, diz a teoria, se destacaram os continentes atuais. E o melhor era o senso de humor do sujeito, que dizia coisas como “Cataclismas e vulcões vão atingir a região norte. Se você tem parentes por lá, ligue para se despedir” com um sorriso daqueles de apresentador na cara.

A dança
Ok, isso não faz parte da série em si, mas é notável. “Família Dinossauro” gerou uma expressão artística das mais importantes – ou, pelo menos, das mais engraçadas. A performance de palco de Claudinho e Buchecha para a música que levou a dupla à fama, “Conquista” (também conhecida como “Sabe, tchurururu, eu tô louco pra te ver...”), foi inspirada na dança do acasalamento que Dino faz para Fran em certa ocasião.

O tratamento dado aos idosos
Num dado episódio, chegava a hora da família Silva Sauro se livrar de Zilda, mãe de Fran. Isso porque segundo o funcionamento daquela sociedade, quando já não podiam mais ser úteis para o grupo, os velhinhos eram simplesmente jogados num poço de piche. Chocante? Pensa bem: pagar uma aposentadoria obscena ou abandonar num asilo para ir visitar de vez em nunca não é quase a mesma coisa?

ethylultimate.jpg Aposto que ela prefere ir
para o poço de piche a receber
aposentadoria do governo...


Clara McFly às 07:21 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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