sexta-feira, 4 de junho de 2004

Covardia mitológica

Desde pequena, sou fã das lendas gregas e romanas. São contos vibrantes, com pessoas de gênio muito ruim ou muito bom, sempre prontas a nos dar uma bela lição de moral – ou, no mínimo, de insinuar que toda ação traz uma reação. O cinema e a televisão se beneficiam da mitologia quase anualmente, para meu desespero. Porque existem três personagens que, ainda hoje, têm o poder de me fazer esconder a cara sob o cobertor.

Nem a diversão juvenil que englobava Pedrinho, Narizinho e companhia foi poupada de receber seu quinhão mitológico. Aliás, mais de uma vez, porque eu me lembro que até o Hércules já apareceu pelas bandas do sítio de Dona Benta. Se tivesse sido só ele, estaria bom. Porque um fortão meio bobo destacado para fazer 12 trabalhos, eu encaro. Já com o colega dele que envergava a cabeça de vaca, não havia sangue frio suficiente para agüentar...

Nem ele, nem seus dois amigos cinematográficos. Estes provocam medo transcendental nessa pobre garota crédula de lendas.

O Minotauro do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”
Nunca soube de quem era o corpanzil bronzeado por baixo da criatura metade homem, metade touro. Nem quero saber! Só de olhar a figura com cabeçona e chifres, parecendo um demoníaco integrante do Village People, ficava apavorada. A Cuca me causava um certo medinho, mas era uma apresentadora de programa infantil perto do Minotauro! Não sei por que Seo Monteiro Lobato decidiu colocar no Sítio a lenda de Teseu, o rapaz sabido que entrou no labirinto da besta marcando o caminho. Mas ficou ótimo, de fato. Ótimo para ter pesadelos.

O Ciclope de “Sinbad e a Princesa”
Recentemente, consegui rever essa pérola na televisão. Acreditam que, mesmo depois de achar que era temor superado e de escrever este texto aqui, eu ainda fiquei ressabiada? Poxa, o Ciclope era raivoso demais – mesmo se movendo com a desenvoltura de um G.I.Joe enferrujado. Na cena derradeira do monstro, o bravo Sinbad enfia uma tocha no olho do bichão e depois o empurra num precipício. Confesso que nem deu pena, viu? Morreu, morreu... antes o Ciclope do que eu.

A Medusa de “As Sete Caras do Dr. Lao”
Tudo naquele filme era meio esquisito – principalmente a recente descoberta de que o Dr. Lao não era chinês coisa nenhuma. Mas a cena da Medusa, a mulher com cabeleira composta por cobras, era capaz de me fazer suar frio. Primeiro, porque tenho medo visceral de serpentes (e fico imaginando quanto tempo levaria para enfartar se visse alguém com essas criaturas nojentas vivendo no cocuruto... Talvez uns 4 segundos). Depois, porque não era nada saudável olhar para ela, ou o sujeito viraria estátua de pedra, mesmo com a monstrenga já abatida. A dona Medusa era problema até depois de morta. Isso era motivo para te deixar com medo? Para mim, ainda é.

Medusa.jpg
Procurar essa imagem já foi tortura, acreditem!
Fla Wonka às 02:21 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold