segunda-feira, 31 de maio de 2004

Adeus, Deep Purple!

Trocar de carro é um martírio para mim. Primeiramente, porque odeio todo e qualquer procedimento que demande a movimentação da chamada “papelada”: aquela coisa de reconhecer firma, procurar documentos, xerocá-los, autenticá-los, desenterrar comprovantes de pagamento do IPVA de 1852 e por aí vai. Segundamente, porque todos já devem ter notado que estabeleço estranhas relações sentimentais com as máquinas que me levam daqui a acolá.

Antes do Deep Purple, existiu o Lanterna Verde – um Prêmio 91 que tinha mais gambiarras espalhadas pelo painel, motor e instalações elétricas que os campeonatos de futebol organizados nesse ensolarado país. Quando fui me desfazer do Lanterna – que já estava naquele ponto de me deixar a pé com um novo problema a cada semana – fiquei toda sentimental.

Escolher outro carro foi difícil. Fiquei entre um corsa verde-água metálico e um roxo. Confesso que eu queria muito mais o verde, porque a cor parecia com a daquele lápis tão querido da caixa de 36 da Faber Castell. Mas o namorido, ainda namorado à época, me alertou que era bem mais negócio comprar o roxo, que era mais novo (sim, um dia ele foi quase isso) e estava pelo mesmo preço.

Só me convenci porque tive a idéia de chamá-lo de... Deep Purple. Que opcionais chiques, que nada! Esse é o tipo de capricho que me guia na hora de fechar negócio. E assim nasceu “o” Deep Purple, intrépido companheiro de viagens distantes, passeios pela cidade e, mais recentemente, guinchos nas horas mais inadequadas.

Depois dele ter se adoentado três vezes num mês, percebemos está chegando a hora de dizer tchau ao Deep. Ainda assim, quero registrar que vou sentir saudades e que ele foi um bravo e valoroso companheiro de batalhas. Mas o mundo gira e, até o final dessa semana, passo a dividir com o namorido a propriedade de outro carro, usado – ou “semi-novo”, como carinhosamente preferem as lojas desse ramo. A transição, novamente, não foi nada mole...

Isso porque comprar carro é uma chatice sem fim. Ainda mais quando você não decide sozinha e tem de acordar a opinião com seu co-comprador – no caso, o namorido. E meus gostos para carros são, digamos, beeeeem diferentes dos dele.

Na minha modesta opinião, tem carros que são classificáveis como... de velho. Monza, por exemplo. É carro de tiozinho. Prêmio idem. Aliás, quase todo veículo fabricado no início da década passada e com traseira sedan conta uns 500 pontos nesse quesito. Já o senhor meu marido não pode ver uma traseirinha arrebitada que já cresce o olho (tudo no melhor dos sentidos, claro).

Chegamos a um denominador comum quando vimos um reluzente Palio vermelho numa dessas concessionárias da vida. Eu não sou muito chegada a carros dessa cor, mas as condições e o preço dessa belezinha, somadas à preguiça de perder um terceiro final de semana entrando e saindo de lojas, falaram mais alto. Além do mais, é só arranjar um nome bacana para o dito cujo e sei que já começo a me afeiçoar.

Como ele é vermelho e tá na hora de variar um pouco a língua estrangeira que dá graça aos meus possantes, pensei em Mao Tsé, também com a opção de chamá-lo de Grande Timoneiro. Mas aparentemente o namorido não achou legal botar o nome de um assassino no carro. Assim sendo, vou sugerir Fidel Castro, com o codinome El Comandante. Que tal?

Prefere que o próximo veículo que me levará do B do ABC para o mundo seja conhecido por outro nome? Tem uma boa sugestão na ponta da língua? Então clica aqui e vem para o Fórum dar pitacos na vida alheia – no caso, na minha e, mais especificamente, sobre qual deve ser o nome do meu próximo carro.

Clara McFly às 07:46 PM

Envie esta página a um amigo



No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold