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I love you, People+Arts Foi-se o tempo em que me envergonhava de admitir, mas hoje conto logo: bastou entrar em casa, eu ligo a televisão. Sou maníaca pela telinha – ainda mais se for daquele tipo a cabo ou satélite, que pega 945 canais, inclusive tvs comunitárias da Mongólia. A paixão existe desde que me entendo por gente, mas piorou recentemente. O caso é que, em vez de me apegar com seriados, agora sou fã decretada de um canal que mescla sabedoria com alguma futilidade. Programação é coisa leve e divertida quando se trata do People+Arts (curioso com um canal tão bom pode ter um site tão podre em português). Criado pela junção das marcas Discovery e BBC, ele une o melhor dos dois mundos: desvenda ciência e história, mas também aposta na humanidade. E na habilidade que os homens têm de curtir uma mudança. Isso quer dizer que o forte do People+Arts é a área de transformação. Existem vários programas do tipo, cada qual querendo dar tapa em um aspecto da vida das pessoas. Mexem com a casa, a cara, o corpo, a roupa e até com o quintal daqueles que se candidatam a cobaia. O mais novo deles é o “Entre 4 Paredes”. Passado na Austrália, o show não acaba rapidamente: quatro casais vão morar por cinco meses em um predinho destroçado. Cada um vive num apartamento do edifício e tem obrigação de reformar o local aos poucos, com orçamento limitado. Quem fizer a melhor obra, lá no fim do jogo, levará US$ 100 mil. Um dos casais na disputa do momento são os adoráveis Warren e Gavin. Tá na cara que eles vão ganhar: têm bom gosto, controlam os gastos e, como dois homens, têm mais força! Em termos de mudança, porém, o “Minha Casa, Sua Casa” ainda é imbatível. Como já contei aqui, é viciante saber o que os decoradores piradões apresentarão a seguir. Mas também costumam fazer belas bobagens a turma do “Enquanto Você Não Vem”. Funciona assim: uma desculpa esfarrapada qualquer leva o cidadão homenageado para fora de casa. Enquanto isso, carpinteiro e equipe invadem um aposento para fazer surpresa ao dono. É visível quando o sujeito detesta – e aí está a graça! O rapaz que ganhou um porão todo no tema futebol americano (com direito a trave feita de cano de PVC), não soube esconder a cara de ódio. Mas nem só de ajeitar salas bregas vive o People+Arts. Sim, eles também sabem consertar cabelos e vestuários, como é o foco de duas pérolas: “Antes e Depois” e “Esquadrão da Moda”. O primeiro opera no básico, faz apenas uma “funilaria e pintura” na fachada de humanos relaxados. Já o segundo é problema. Duas consultoras de moda pretensiosas, nada sutis e engraçadíssimas apanham para Cristo uma mulher desbeiçada – sempre é. Depois de desancar a pobre até o último zíper, Trinny e Susanah entregam um cheque de 2.000 libras para a tal renovar o guarda roupa seguindo suas orientações. Dá dó. E nem sempre cola. Certa vez, uma senhora que parecia a Tina Turner depois da gripe ignorou os apelos das mestras e comprou um modelito a la Moulin Rouge. Contorci de dar risada! Recentemente, uma nova atração “boba e interessante” chegou ao canal. No “Jardim Surpresa”, a idéia é eliminar geladeiras velhas, varais enferrujados e piscinas com limo e tornar o quintal um lugar agradável. Tudo, claro, sem o aval do dono da casa – sempre engrupido por amigos e afastado da residência. O resultado é poético: fontes, estátuas, tendas e tudo que há de mais encantador vai parar nos jardins. Fico que não me agüento de inveja e vontade de ter um metro quadrado de terra como aqueles! Mas o canal que emociona também faz rir. Eu, Clara e Vivi nos revolvemos em gargalhadas outro dia com o trio de garotas que faz o “Elas Não São Loiras”. Serginho Mallandro e coisas do gênero têm muito que aprender com essas tias quanto a fazer pegadinhas. Uma das barbaridades prediletas entre a gangue é abordar pessoas na rua, perguntar que horas são e, qualquer resposta que venha, avisar que é a “Hora da Bruxa”! Elas têm a capacidade de tirar uma lanterna da bolsa, acender, encostar no queixo e continuar conversando com os transeuntes fazendo voz de feiticeira. É mico, é bacana, é inteligente? Só podia estar no meu vício televisivo do momento.
Não são loiras. São triplamente piradas |
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