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Ai meu nariz! Segundo algumas pesquisas de opinião sobre cirurgia plástica, o nariz consegue superar seios e pelancas na lista das maiores infelicidades corporais. Parece que ter um narigão faz muita gente ficar em casa sozinho no sábado à noite. Ou não conseguir par no baile de formatura. Bem, eu estou contente com o meu – não que ele seja algo primoroso à lá Barbie, mas dá para o cheiro (entenderam o trocadilho, hã?). O problema entre nós é apenas um: ele parece muito mais um chafariz, principalmente nesta época do ano. Chega o outono e meu humor floresce como nunca. Um ventinho gelado chega para espantar o calor senegalês a que somos obrigados a viver na maior parte do tempo. Os dias ficam mais iluminados e bonitos, com aquele céu azul e aquele sol que só esquenta se ficarmos parados debaixo dele. Amo os meses medianos, pois além de trazer meu aniversário, também traz gostinho de quentão e vontade de ficar enrolada numa manta na frente da tevê. Mas nem tudo é alegria nessa passagem entre o calor e o frio, e é aí que meu nariz entra. Literalmente. Basta a primeira blusa de lã ser retirada do armário e vestida para que ele, o nariz, fique irritado. Começa a coçar feito urtiga dentro do calção. Em seguida, vêm os espirros. Um atrás do outro, por horas a fio. A coceira, que continua, se intensifica cada vez mais. Não adianta assoar, pois cinco segundos depois já fica tudo congestionado novamente. E a mesma cena se repete por alguns dias, até que o melindrado se acostume com a vestimenta mais pesada que pede a estação. Esse ritual pelo qual sou obrigada a passar só pelo prazer de não suar tem nome composto: rinite alérgica. A hipersensibilidade à poeira – e outras coisinhas mais, quem dera fosse apenas pelo pó – é minha amiga desde a infância. Ou melhor: desde que nos mudamos para uma casa com carpete verde musgo que só via aspirador a cada Semana Santa. Assim que passei a primeira noite no quarto do sobradinho germinado, meu calvário teve início. Digamos que, se para cada espirro em um período de 24 horas eu ganhasse 10 centavos, faria 100 reais por dia facilmente – o que daria um belo salário no final do mês! Mas não ganhei nada por passar tantos anos ali dentro, além de um nariz que é mais sensível que adolescente na TPM dispensada pelo namorado. Minha mãe tentou dar um jeitinho. Mas, ao invés de arrancar o maldito carpete, optou por uma solução mais paliativa: comprou aquele aparelho Sterilar (ou coisa que o valha). O purificador de ar que prometia aliviar o cotidiano dos alérgicos só serviu mesmo de apoio para meu irmão, que adorava descansar o bumbum cheio de fralda naquele "baquinho" prateado. Amassou em pouco tempo, uma vez que ele era um bebezão. As coisas só começaram a mudar quando saí de lá para o apartamento anterior. A primeira medida foi arrancar o carpete – por que tal revestimento é tão popular num país tropical? – e colocar um lindo e higiênico piso de madeira. Senti uma melhoria de 75% na aflição. Mas algo já tinha estragado. A partir dali, a cada inverno, a cada malha pesada vestida, é a mesma história que se repete. Se esse é o preço a ser pago por sair na rua agradavelmente climatizada usando um cachecol ornando com um casacão, bem, continuo sem reclamar. Muito. ![]() Além de tudo, o bicho é feio
A uma hora dessas você já deve ter reparado que o Garotas mudou! Estreiamos hoje uma nova cara de leiaute, que só veio substituir o antigo (já estávamos enjoadas) e acompanhar o amadurecimento que o site passou nesse um ano de vida. Mas os textos, a acidez, o bom humor e a bobeira que nos é peculiar continuam imexíveis, como diria aquele outro. Ah, eu acho que está lindo. E você? Clique aqui e opine! Vivi Griswold às 10:31 AM |
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