Costumo dizer por aí que meu carro é uma Mercedes com motorista. Bem, não estou mentindo. O problema é ter de dividi-lo com um cobrador e mais 50 pessoas – fato que muda muito a primeira afirmação. Sim, eu sou uma garota sem um automóvel para chamar de meu. E por escolha: já pude comprar, mas preferi investir o dinheiro em outras coisas. Sei dirigir, porém deixo outros se estressarem por mim. Assim, pelo menos, dá para ler um bom livro ou anotar no caderninho idéias para o Garotas.
Com tantas idas e vindas de ônibus ao longo dos anos, cruzando a cidade (às vezes, mais de uma) para chegar a empregos e voltar para casa, acabei adquirindo algumas manhas que fazem a viagem um pouco menos traumática. Claro que é impossível não rogar praga no transporte público em dias de chuva, trânsito, demora e lotação. Mas em condições normais de clima e temperatura, a coisa flui. É só você saber como.
Tente sentar no ponto
Se seu ponto de ônibus for daqueles com cadeirinha de espera, aproveite para sentar. Se não, sente na calçada, agache, fique numa perna só, vá tomar um café no boteco ao lado. O segredo é descansar os membros inferiores caso o coletivo esteja lotado. Pense comigo: se você esperar sentado por meia hora, não vai ser tão mal enfrentar uma viagem em pé em um tempo similar.
Tenha seu dinheiro/passe em mãos
Eu tenho vontade de socar aquelas pessoas que, após quarenta minutos de espera no ponto, entram no ônibus na sua frente, param na catraca e começam a contar moedinha por moedinha, nem ligando para a fila de gente atrás, bufando. Custava ter feito isso enquanto aguardavam? Tenha sempre o valor à mão, para não virar alvo das pragas rogadas por todos os passageiros. Já pensou?
Nunca dê sinais leves
Adoro observar aquela madame que pega ônibus pela primeira vez. Vendo o coletivo certo se aproximando, a mulher caminha lentamente até a beira da calçada e levanta de leve o dedinho indicador. O motorista nem nota, não pára e segue no maior pau. E ela fica ali com cara de tacho pensando “gentinha sem educação!”. Eu aprendi a abanar as mãos como se estivesse perdida na selva.
Deixe as senhoras descerem antes de subir
Uma vez na porta do ônibus parado, antes de subir, certifique-se de que não há alguma senhora tentando descer. Espere um pouco, pois costuma demorar. Lembre-se de que não tem coisa pior do que voltar todos os degraus para que a idosa consiga chegar até a rua. Ou então, se a pessoa for muito devagar, travar um coxa-a-coxa ali na embocadura com ela e suas cinco sacolas de feira. O que tanto as velhinhas carregam?
Levante a bolsa/mochila para passar na catraca
Eu já tive uma bolsa presa na catraca. Por isso, digo com propriedade: é um mico que você não vai querer pagar em público. O negócio enrosca de uma tal forma que parece que sempre esteve ali grudado. Daí você puxa, levanta, puxa de novo – e o cobrador olha tudo com a maior cara de paisagem. Evite desconfortos e levante sua bolsa ou mochila enquanto estiver perto da geringonça.
Sábias escolhas ao sentar
Com a prática, aprendi um pouco a não correr desesperada até um local vago. Desconfie sempre da bondade dos céus. Se o ônibus estiver entupido e houver um assento livre, é porque ali tem coisa (normalmente, uma coisa bem nojenta). Também evito ficar ao lado de crianças de colo (os responsáveis pelas coisas nojentas) e de gente com comida e bebida. Basta uma freada brusca para você levar um banho.
Sábias escolhas ao ficar em pé
Saber ao lado de quem permanecer quando tiver de ficar de pé é uma arte. Fique de olho em pessoas com livros, por exemplo. Se o cara está lendo e de repente fecha, grandes são as chances de ser um bom presságio para o lugar ficar vago. Gente comendo bolacha que fecha o pacote e guarda na bolsa também é uma boa pedida. Se não há escolha, fique em pé com um tantinho de esperança.
Dê sinal e corra para a porta
Costumo dar sinal bem antes do ponto, e já vou logo me encaminhando para a porta. Pois, se existe algo pior do que perder sua parada e ser obrigado a andar dezenas de metros a mais, é não conseguir descer no meio daquele mar de gente. Quanto mais pessoas se aglutinando na porta, maior a probabilidade de alguém ficar para trás. Que não seja você a gritar: “Vai descer, motorista!”.
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A gente nem queria mesmo...
Tá certo. A gente queria sim - e muito! Mais que isso, a gente merecia. Porém, não foi dessa vez que o Garotas conseguiu levar o prêmio iBest, apesar da torcida de todos vocês. Sim, somos indies de coração - e, pelo resultado, foi até muito termos chegado entre os três sem sermos apoiadas por um grande portal. No fim, tomamos dois dedos de champanhe (a tia da garrafa simplesmente ignorava nossa mesa), conhecemos umas pessoas muito bacanas do site do Casseta & Planeta e trouxemos para casa dois troféus de top 3. Não é o que iria segurar a porta do banheiro, mas já presta para peso de papel. Saravá, meu povo!