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Feitos um para o outro Se existe uma coisa na qual eu gosto de enfiar a colher é o tal Romeu e Julieta. Uma fatia de queijo Minas e uma de goiabada. Simplesmente divino! O irônico da história está no fato de eu não achar a mínima graça em queijo Minas, e não comer goiabada pura nem sob a mira de um estilingue. A química, pois, está no casal: separados, eles são apenas mais uma comida na geladeira. Juntos, são imbatíveis. Foi pensando nesse paralelo culinário que eu finalmente consegui entender o que acontece com Drew Barrymore e Adam Sandler naquele universo louco chamado cinema. Sem Adam, Drew é o queijo Minas: gostosinho, mas eu consigo viver sem. Sem Drew, Adam é a goiabada: simplesmente insuportável. Mas, quando resolvem trabalhar no mesmo filme, o resultado tem sido delicioso. Foi assim quando assisti "The Wedding Singer", antes da produção chegar ao Brasil e receber o infame título de "Afinado no Amor". Naquela época, Drew era apenas a menininha de "E.T." que cresceu e se enfiou em maus lençóis. Quanto a Adam, eu não fazia idéia de quem ele era. Na verdade, o que me atraiu no filme foi a tentativa de se fazer uma comédia romântica baseada nos anos 80. Não podiam errar. E não erraram: seis anos após o ocorrido, o filminho continua sendo um dos meus favoritos. Ao sair do cinema naquela gelada noite londrina, enxugando as lágrimas por conta do gran finale, cresceu em mim a ilusão de que Adam Sandler era um cara legal. O tempo passou e com ele passaram fiascos como "O Rei da Água", "O Paizão", "A Herança de Mr. Deeds". Eu bem que tentei gostar do rapaz. Mas não consegui, apesar de muito esforço – mais de minha parte do que da parte dele, é claro. Já Drew teve uma trajetória bem mais louvável. Aliás, foi ela quem fez de tudo para ter Adam Sandler em "Afinado no Amor". Sim, ele não queria participar daquela "bobagem" (o que mostra como o filme é realmente bom). Ela também acertou em cheio ao recusar o papel principal de "Pânico" e ficar apenas com a seqüência inicial – a melhor de toda a saga do terror adolescente. Sem contar, ainda, que foi só pela mão de Drew que o apocalíptico "Donnie Darko" chegou a ser lançado. Voltemos então à sobremesa. Ontem estava um frio gostoso na cidade e o clima pedia por um cineminha. Olhando o guia de filmes, percebi que já tinha assistido a todas as opções disponíveis. Só faltavam dois: "Van Helsing - O Caçador de Monstros" e "Como Se Fosse a Primeira Vez". O primeiro vai ter de esperar uma quarta-feira promocional. Então só me restava o segundo. "Como Se Fosse a Primeira Vez" traz novamente Drew Barrymore e Adam Sandler como casal. Portanto, ao comprar os ingressos, a sessão estava além de um ordinário entretenimento dominical: era quase uma experiência de campo. Será que minha teoria estava certa? Se Adam estivesse bem e me fizesse suspirar ou até chorar um pouquinho... Bingo. Poderia me considerar uma iniciada nas ciências das comédias românticas e, quem sabe, lançar um "Teorema de Vivi" sobre o assunto. Tão certa quanto a lei da gravidade sobre a maçã na cabeça de Isaac Newton está a química entre aqueles dois quando estão juntos em cena – é o que dá para reparar nas primeiras seqüências do filme. Dali pra frente, a coisa só melhora. No momento em que Adam berra desesperado ao acompanhar a letra de "Wouldn’t I Be Nice", minha favorita do Beach Boys, eu fiquei sentada na poltrona sem saber se dava risada ou se chorava. Ou quando Adam canta uma música que fez especialmente para a personagem de Drew. Tá bom, eu admito. Naquela eu chorei mesmo. Esperemos, então, uma terceira prova. Quando ela vier, lançarei meu trabalho científico. Até lá, só nos resta comer queijo Minas ou goiabada, sonhando em sentir o gosto da sobremesa novamente. ![]() Gostinho de quero mais |
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