segunda-feira, 19 de abril de 2004

Hora da gandaia!

Se me convidam para uma festa, cumpro sempre um mesmo ritual. Fico contente, checo quem mais vai estar, organizo as pessoas nos carros, penso numa roupa pra usar, compareço, me entupo de refrigerante colorido, danço até os pés doerem e cometo umas gafes. Sábado teve festa, e eu pratiquei toda essa lista. Acompanhada por doses extras de felicidade plena e nervosismo bravo.

Tudo porque o Garotas fez um ano. Tudo porque o projeto que nasceu para expurgar nossa vontade de escrever rendeu não um fruto modesto, mas toda uma safra de boas novas. Tudo porque achamos que seria legal fazer uma comemoração do tamanho da felicidade que sentimos ao escrever nesse site!

Por tudo isso e mais um pouco, sábado foi dia típico de comemoração. Acordei já com o estômago revirado – e não foi culpa do martini que tomei no casamento da noite anterior. Foi o nervosismo mesmo. Imaginem, seria dia de conhecer leitores fãs do nosso filho rosado! Seria dia de receber amigos e parentes como anfitriã! Seria dia de cantar "Total Eclipse of The Heart" não na frente do espelho, mas na frente de um bando de gente!

O 17 de abril correu rapidinho. Quando vi, já estava dando um tapa no visual, vestindo as meias listradas de rosa e preto e o sapato de quilômetros de altura. Ainda bem que o dito-cujo era confortável, ou os pés que ficaram doídos teriam simplesmente morrido para sempre. Pisantes doloridos é coisa tão caracerística de festa, não? Pois tiveram outras coisas manjadas assim.

Calor, pista cheia, gelo seco
As 200 bexigas rosadas que enchemos para decorar o melhor bar da cidade se rebelaram. Voaram para o andar superior, fugiram pelas janelas e fizeram pior: atacaram os ventiladores. Por culpa disso, o local virou sauna. Por isso e também pelo córum de 230 humanos confinados ali e saltitando ao som de hits como "Vem Fazer Glu-Glu". Haja transpiração!

Muita gente a conhecer
Festa é, basicamente, confraternização. É um rito inventado pela sociedade para unir parceiros e saudar os bons acontecimentos. É como uma missa, só que com mais barulho, comida, álcool e pessoas sorridentes. Por isso o arrasta-pé de sábado foi tão especial! Nunca encontrei tanta gente fina e animada em um mesmo recinto. Suados feitos porcos no abate e ensandecidos como uma nuvem de gafanhotos, é verdade… Mas ainda assim, divertidíssimos!

Berros animados, voz rouca no final
Com tanta gente decidida a requebrar e cantar sucessos em alto e bom som, natural que o lugar virasse uma panela de pressão. E como bater-papo dentro de uma panela de pressão? Gritando, óbvio. Por causa disso, no momento eu falo com o timbre da Cinira Arruda, a jurada eternamente afônica do Show de Calouros. Mas a fest… …oi ó…ima!

Ouvido zunindo, quarto girando (para os roitmanns)
Quando o bate-coxa vai se encaminhando para o final é que percebemos a situação orgânica instalada. O som altíssimo deixa o ouvido estranho, e daí continuamos a falar alto mesmo já estando na calçada. Pior, só para aqueles que entornar da água que passarinho não bebe… Além de deitar na cama e sentir o dormitório mexer como barco viking de parque de diversões, ainda tem o gosto de cabo de guarda-chuva na boca. Ainda bem que Fanta Uva não causa isso.

Tragam a bacia de salmora
Basta tirar o calçado depois da festa e relar o pé no chão para sentir o drama. Depois de dançar por mais de seis horas, retirei o sapatinho boneca em casa e tive impressão de que todos os ossos estavam quebrados. E os joelhos e quadris? Agora sei com qual desenvoltura vou caminhar aos 85 anos.

Cheiro de artigos estranhos e cabeleira emaranhada feito miojo
A certa altura da comemoração, muitos dos convivas empolgam em excesso. Senti que derramaram gotas de cerveja na minha cabeça. Senti que um pouco da caipirinha alheia rolou pelo meu braço. Já no lar, atirei a roupa na lavaderia — mas bem podia ter sido incinerada. Também pensei seriamente em desistir de pentear o cabelo e cortar dois palmos dele logo de uma vez…

Bastidores
Toda festa bacana conta com as passagens acima. A nossa, no sábado, só deve ter se diferenciado pelos bastidores. Teve de tudo: retoque de maquiagem no banheiro da pizzaria vizinha; Saída expressa para comprar mais balões; Telefonemas no meio da tarde para combinar figurino; Recebimento de um CD autografado enviado pelo próprio Ritchie, no bar, porque ele é um doce; Cara sem graça depois de perguntar "Mas cadê seu namorado?" e ouvir "Ele me deu um pé na bunda ontem…". Com esse tempero, a festa padrão virou um evento para marcar para sempre estas Garotas Que Dizem Ni. E que, agora, a cada duas horas, também dizem "quando vai ser a próxima?".

* * * * * *

Agradecimentos maxi-especiais para…

A caravana de Campinas, as meninas de SBC, Patrícia e sua gangue, João, o encantador proprietário do caloroso Darta Jones, o DJ que atendeu a pedidos, os leitores da Grande São Paulo que vieram curtir (Leandro, Rafa, Mônica, Válter, Quinho, Miru e todos mais), os namoridos que trabalharam sem reclamar, a família que foi em peso, os amigos mais que fiéis, os ilustres integrantes do Gardenal.org, o vocalista da banda Tubaína, o bicho careca do outdoor do Objetivo. Vocês fizeram da nossa festa, A FESTA!

Fla Wonka às 01:16 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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· Vivi Griswold