Tem coisas que só os 80 fazem por você. A década pródiga em gel de cabelo com glitter, pirulitos com pó de origem estranha e filmes estrelados pela Molly Ringwald também marcou, por essa bandas tropicais, uma explosão da música pop apoiada por teclados e saxofones. E por muitas letras esquisitíssimas.
Tinha moços de vida fácil se anunciando, lelés da cuca que atiravam na tv quando a tela mostrava o Francisco Cuoco e garotas casadoiras procurando um par, mas que não se contentavam em ficar com um namoradinho só – tudo cantado em verso e prosa por gente que apareceu e sumiu com a mesma rapidez ou por bandas que ainda sobrevivem (e talvez fosse melhor não).
Dentro dessa ferveção, cujo compasso era marcado por baterias eletrônicas ou programação de Casiotone, ganharam vida algumas das mais sensacionais, misteriosas, fatais e cômicas mulheres. Algumas devem ter sido criadas sob efeito de pesadas drogas alucinógenas, como o próprio Dip’n’Lik (ou quiçá fanta uva), tamanho o surrealismo de suas histórias. Ainda assim (e talvez por isso mesmo), elas povoaram a década de 80 e fizeram todo mundo dançar. Ou vai dizer que você esqueceu dessas figuraças aí?
Eva
O Rádio Táxi entoou um apocalipse moderno cantando o "fim da aventura humana na Terra". Mas cuidou para que um casal se salvasse: ele era Adão e a menina seria... a pequena Eva. Isso mesmo, uma xará da primeira mulher e da bonecona grávida do Playcenter. A recriação do Gênesis contou com uma astronave, onde o casal escapava da catástrofe global.
Adelaide
Não contentes em criar uma barata falante, Os Inimigos do Rei sacaram da anã paraguaia (?!) que viveu um tórrido caso de amor com o desiludido narrador da história. Não sei porque tanto ele queria voltar com ela, já que a mocinha não tinha muitos modos. Lembram da embaraçosa situação do elevador?
Loiras Geladas
Aqui temos não só uma, mas todo um grupo de mulheres – que, segundo o inesquecível frontman do RPM, eram todas iguais – fatais. Por causa delas, nosso herói acordava numa casa de tolerância. Na verdade, eu levei um tempo sem saber ao certo se ele estava falando de mulheres ou de cervejas. Ainda estou na dúvida.
Mãe que Quica
Estrela da sensacional história de uma briga entre vizinhos, a mãe quicante foi invenção do Dr. Silvana e Cia – "pais" também daquela mocinha que fazia "Serão Extra" – e ficou imortalizada no auto-explicativo título "Taca a Mãe Para Ver se Quica". Quando um vizinho sugeriu, o outro acatou o conselho e tacou a mãe. Mas a velha não quicou.
Silvia
Aposto que todas as garotas daquela época que se chamavam Silvia tinham vontade de pegar o Marcelo Nova de pau. O Camisa de Vênus fez questão de jogar a moral de uma certa Silvia na lama (se bem que a própria moçoila já tinha mesmo arruinado sua moral...), mas o refrão pegou e era entoado com emoção por TODOS os garotos, para TODAS as Silvias. Pobres.
Kátia Flávia
Fausto Fawcett deu vida à godiva do Irajá que cavalgava peladona e usava roupas de baixo de múltiplo uso: eram comestíveis e bélicas. Vocês não têm idéia do quanto minha mente infantil lutou para entender o que diabos ele dizia nessa música. Afinal, exocet e godiva não faziam parte do meu vocabulário de sete anos. Como sempre, minha mãe teve de me explicar tudo...
Joana D’Arc
Não tem nada mais bizarro que pegar uma figura histórica e santificada, adicionar ao pacote a CIA e a KGB, sacar de uma piada ginasial sobre "pegar na lança" e, no verso seguinte, rimar com uma sugestão de relações íntimas entre Joana e a rainha da França. Ainda por cima, Marcelo Nova e seus comparsas dizem que a heroína francesa era roitmann e afirmam, como se precisasse: "Eu não Matei Joana D’Arc". É claro que não, bobinhos. Ela já tinha virado semente muito antes de vocês nascerem!
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Bom estar com vocês, brincar com vocês
A semana especial de aniversário do Garotas está recheada de prêmios condensados, caramelizados, com flocos crocantes e o puro chocolate do milho verde.
Peraí. O chocolate não era do milho... Mas o que importa? Os prêmios também não são condensados. São melhores que isso. Quer ver? Clica aqui!