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Cobras, lagartos e exus Sempre que abrimos a caixa-postal (e fazemos isso umas 1.754 vezes por dia), ficamos coradas e infladas e encabuladas com tantos elogios que lá pipocam de 5 em 5 minutos. Quando entramos no Fórum e vemos tópicos como este e este, cheios de mensagens engraçadas e carinhosas, precisamos pedir que alguém nos puxe lá do céu por um barbante e nos traga de volta à realidade terrena. Mas não é só de palavras bacanas que sobrevive nossa correspondência eletrônica. Claro que quanto mais o sítio e a coluna na Época ficam conhecidos, mais pessoas que não gostam do que fazemos aparecem. Principalmente no que diz respeito à nossa singela página naquela revista semanal. Veja bem: não é que somos mimadas e só gostamos de afagos. Como costumamos dizer, opiniões divergentes são saudáveis e fazem o mundo girar. O problema é o jeito com que os chamados "exus internéticos" se manifestam. Eu vejo por mim mesma. Existem diversos sites, blogs, crônicas, reportagens e artigos pela mídia em geral que eu simplesmente não tolero. Não gosto, acho ruim, considero mal-feito. Mas daí a sentar na cadeira, ligar o computador, abrir meu e-mail, escrever 30 linhas de desaforo e mandar para os responsáveis, é demais. Nunca fiz isso, e pretendo continuar não fazendo. Mas tem gente que faz. E faz com nosso trabalho. Ao receber uma crítica negativa no correio da Época – digamos que mensagens assim aparecem a cada uma dúzia de outras agradáveis – lemos com a maior atenção e pensamos se vamos considerar ou não. Isso depende do tipo de linguagem que a pessoa usa. Quando o leitor saca de ironias maléficas, coloca dúvidas quanto ao nosso talento, criatividade e ao motivo de estarmos com o nome lá, e, literalmente, nos xinga, respondemos numa boa e ignoramos. Gente assim não sustenta um ponto de vista, perde a credibilidade fácil. Normalmente, o leitor fica assustado com a resposta. Muitos não acham que aquela opinião vai chegar até nós – e é exatamente por isso que eles pisam e despejam toda a raiva. Quando chega uma resposta educada de nossa parte (e respondemos a todos, como fazemos com os e-mails do sítio), eles agem de três formas: ou não respondem de volta, ou respondem de volta pedindo desculpas, ou respondem de volta continuando o ataque. Os primeiros são pessoas em dias de exu (todos nós temos), os segundos são exus arrependidos e os últimos são exus tranca-rua. Nesse caso, tomamos um banho com sal grosso e repetimos três vezes "estamos vestidas com as roupas e as armas de Jorge", só para garantir. Gravada a ferro e fogo na nossa memória está a ocasião em que falamos que a Britney Spears ainda não merece uma estrela na calçada da fama. Pra quê... Caímos no fórum do fã-clube dela. Os menininhos e menininhas mandaram 500 milhões de e-mails que não poderíamos nunca reproduzir aqui – porque nossas mães nos ensinaram que falar aquele tipo de coisa é feio. Um deles, só para exemplificar, nos chamou de "prostitutas acéfalas". Beleza, ficamos em primeiro lugar no ranking das matérias mais comentadas da semana! Um dos maiores exus tranca-rua era um moço (ou moça, porque não se identificava no e-mail) que chegou a enviar umas 20 mensagens tanto para o correio da Época quanto para o do sítio. No começo, respondíamos numa boa. Daí seguia-se outro ataque. E respondíamos. Outro. E respondíamos. Quando ele (ou ela) começou a falar coisas hilárias como "aproveitem a fama, pois seus dias na revista estão contados", demos uma gargalhada e respondemos "ah, tá!" – daí, ele (ou ela) parou. É ou não é exu? Pena que o sistema de acesso aos e-mails da Época vai apagando as mensagens mais antigas. Porém, consegui separar trechos de cinco pérolas, sendo que três delas são da mesma pessoa... ups, exu. A outra respondeu pedindo desculpas e a outra abafou o caso. Não vou revelar os nomes porque, bem, vá que eles se materializem. Credo! "No seu caso, Garotas que dizem Ni, eu creio que não é por acaso que vocês se inspiraram no filme do Monty Python (pra não dizer 'copiaram'). Talvez vocês sejam tão colonizadas quanto todo mundo... mas talvez sejam muito cegas como todo o resto pra reconhecer isso. Continuem tentando fazer uma GRAAANDE diferença com as futilidades que vocês são pagas pra publicar." "O que é a sua parte na revista? Algum happy hourzinho no bar da esquina jogando papo fora? Vocês têm a oportunidade de realmente fazer algumas mudanças significativas nas vidas das pessoas e escolhem futilidades? Por que não INSPIRAR as pessoas ? Por que simplesmente ajudar a mantê-las dopadas nessa vidinha que nos é apresentada por vocês, meios de comunicação? Por que não fazer uma diferença positiva? Não querendo ser machista, vocês não estão falando no telefone aqui..." "Hoje foi a primeira vez que li esse artigo na revista Época, e também a última. Quanta idiotice, melhor encher essa página de propaganda que é bem mais interessante. Continuem assim, reforçando o quanto essa revista é dispensável, tola e tendenciosa. Desejos de um melhor aproveitamento do conteúdo repassado ainda na faculdade." "Cheguei a pensar estar lendo a revista da minha filha de 12 anos, mas infelizmente não... Nossa grande sorte é ter ao lado da página de vocês o grande cronista Mario Prata que nos faz entender a diferença entre o Passos, o Pegorin, o Agostinho e o PRATA. Tentem ser mais criativas e assistam menos o João Kleber." "Não entendo como é que pessoas na sua posição estejam confortáveis com a mediocridade que produzem. Vamos apenas nos manter fiéis ao script que 'papai' deu, e se nos comportarmos direitinho talvez um dia possamos estar lá, com o Pedro Bial, apresentando o Big Brother (ah, como é bom sonhar...). Como a vida é boa... e simples... e nada mais. Todo o resto? Ah, o que EU tenho a ver com isso? Sou apenas uma garota que diz Ni!"
Vade retro, Satanás! Como aconselham nossos ídolos do Monty Python, costumamos olhar sempre para o lado brilhante da vida. E nada está brilhando tanto do que nosso incrível Especial de Aniversário! Quer ganhar um prêmio raro? Quer chacoalhar o esqueleto numa festa de arromba? Quer ler vários textos especiais? Então clique aqui e saiba como! Estamos fazendo até promessa E a campanha pelos bons textos e conteúdo de qualidade no prêmio iBest Blog continua. Como você pode ajudar? Ora, vota logo no Garotas em primeirão! E, se quiser ser um militante, adicione o selo abaixo ao template do seu cantinho virtual. Vivi Griswold às 09:59 AM |
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