quinta-feira, 1 de abril de 2004

Casas do quê?

Quem me conhece sabe que um dos meus sonhos é visitar as chamadas, er, casas de burlesco. Sempre observei com curiosidade esses locais, que da vivência masculina são parte integrante e não podem ser vendidos separadamente. É natural: todo menino já foi, continua indo ou adentrará as portas de um... lupanar.

Já às garotas resta especular como serão os interiores místicos das boates onde se exerce a profissão que existe desde que o mundo é mundo – já que toda criatura curte um rala-e-rola desde que o mundo é mundo. Não é gozado (sem trocadilhos) imaginar que os antigos egípcios, gregos, hebreus e todos aqueles povos já mantinham um conhecimento, digamos, "bíblico", uns dos outros?

Por enquanto, todo meu conhecimento sobre os ditos lugares continua vindo da sempre empolgada (porém sucinta e um pouco tímida) descrição que meus amigos fazem. A máxima proximidade que já consegui atingir das casas de alegria é passar por suas fachadas, a bordo do intrépido Deep Purple.

Dali, tudo que posso ver é o nome do estabelecimento. E alguns são tão esquisitos que me chamaram a atenção, tanto que não pude deixar de reunir um punhado deles – a seleção vai do "pouco usual" ao "que diabos o dono quis dizer com isso?".

Tchellas
Como eu já disse antes, ter uma casa de tolerância e botar o nome de Tchellas é como ganhar um cachorro e batizá-lo de Rex. Bom, a casa promove o inovador bingo erótico. Vai ver é para compensar a obviedade do nome.

Mina Coffee
Acho que o proprietário do ponto (sem trocadilhos, de novo) atinou: "bem, é um café de mulheres… Mas um nome em inglês pegaria melhor". Daí, correu ao dicionário e fez essa versão à la "Black People Car" para a graça do local.

Beach's Bar
Mesmo quem não entende nada de inglês sabe que "bitch" pode ser usado para se referir às moças com a profissão mais antiga do mundo. E a palavra tem a mesma pronúncia que beach, que significa praia. Então, a casa pode se chamar tanto "Bar da Praia" como "Bar…" vocês sabem do quê.

Loucademia de Mulheres
Ah, esses donos de burlesco… Quanto senso de humor! Imagino que o proprietário fosse fã dos filmes de sessão da tarde oitentistas, onde tinha Loucademia para tudo quanto é lado. O lugar causou tanta comoção que foi cantado em verso e prosa pelos camaradas do Tubaína.

Dragão Teimoso
Um doce de amendoim e um beijo estalado na testa para quem tiver alguma pista do que diabos esse nome quer dizer. Vai ver as moças do local não eram lá de grande beleza física, mas tinham entre seus atributos a perseverança, por assim dizer, no cliente. Ou será que elas soltavam fogo pelas ventas mesmo? Cruzes.

* * * * * *

Rá-tim-bum!

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Clara McFly às 05:56 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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