terça-feira, 30 de março de 2004

Estranheza na certidão

Gafe é coisa que corre nas minhas veias. Cometo várias, e dos tipos mais constrangedores. Com nomes próprios, por exemplo, sou um desastre. Sempre caio na enorme imbecilidade de fazer comentários cretinos do tipo "nossa, Brigite é nome de garota de programa, hein? – só para dois segundos depois escutar "hum… minha irmã chama Brigite". Droga… Mas o que eu posso fazer se existem pais que bem poderiam pensar melhor antes de nomear seus bebês?

O que mais me surpreende é como tanta gente deixa de reparar, ao escolher um título pro filho, que ele é apenas uma criança. Nomes têm que ser atemporais, não? Imagina um pivete babão tentando se equilibrar sobre as pernocas e o pai dizendo "ah, que graça, esse é o meu Desidério!". É um neném, ele não deveria ter nome de vô! É estranho.

Um moço que eu conheço pensava, de pequeno, que nomes assim só eram colocados nas pessoas quando elas chegavam aos 40 anos. Porque não combina ver uma criancinha chamada Olavo ou Clementina.

Também tenho dois amigos que não vencem, hoje em dia, de lembrar sobre o Geraldo. Geraldo, até onde entendi, é um garoto em idade universitária que joga futebol com eles. O Geraldo não tem apelido. Não é o Caveira ou o Gigante ou o Espiga. Todos fazem questão que ele siga sendo o Geraldo.

Como esses meus amigos são rapazes muito doces, fizeram amizade com o Gê (nem assim fica mais condizente com a faixa etária, céus…) e elegeram o menino quase um ídolo. Mas imagine quanta gente menos evoluída tirou o sarro do Geraldo antes disso!

No quesito "nome datado" também acontece o inverso. A jovem mamãe acha sua garotinha rosada um mimo e escolhe para ela um nome dengosinho como Talita. Só que a mocinha vai crescer e ter que arrumar emprego. Fico com medo de pensar em quantas Talitas deixaram de ser levadas a sério em entrevista por culpa da mamãe. Isso porque muita gente se recusaria a operar o cérebro ou fazer uma carteira de ações com a meiga… Talita.

Nesses casos, pelo menos, até é possível passar despercebido por um tempo. Muito pior é quem não pode esconder o nome que enverga. No meio jornalístico, lembro de um rapaz que se chama Alladin. Pelamordedeus, coitado do moço… ninguém merece ter que passar credibilidade e precisão depois de dizer ao interlocutor que se chama Alladin.

Soube que ele quer muito mudar de nome – o que eu entendo plenamente. Acho também, por outro lado, que depois do estrago é melhor assumir a situação e manter o dito cujo. E se algum chato fizer gracinha do tipo "e onde estacionou o tapete?", sempre e possível dizer "na porta da casa da senhora sua mãe… que inclusive está polindo a lâmpada".

Os casos extremos são aqueles que viram matéria do Fantástico. Um Dois Três de Oliveira Quatro, Himen (cuja mãe queria que ele tivesse o nome do… He-Man) e as trigêmeas filhas do dono do cartório, Xerox, Fotocópia e Autenticada – todos sofrem, mas alcançam também a fama.

Claro, é mil vezes melhor ter um nome fora de época do que ser chamada pelo nome de uma marca de foto-copiadora. Está inclusive na moda batizar nenéns de Sebastião, Valentina ou Lourdes Maria. Ou ainda Francisco, nome que a Clarinha adora. Pelo menos essa, que é quase uma irmã, já deve estar preparada para ouvir de mim “mas Chico é nome de tio, hein?”.

Fla Wonka às 01:47 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold