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Eu caio em todas Começo a desconfiar que as indústrias cinematográfica, musical e televisiva se sustentam de mim. Ou de gente muito parecida comigo. Afinal, apesar de conhecer um pouco do que é bom e gostar de peças de qualidade, ainda caio como um pato nas mais diversas armações pop. Principalmente se a arapuca estiver armada na sala escura, com aquela tela gigante na frente. Ali dentro, onde pago para embarcar mesmo na emoção, sou vítima perfeita de ao menos três armações bem comuns da gente de Hollywood. A primeira são os beijos em comédias românticas. Eu aplaudo (por dentro, que sei que é falta de educação agir de maneira muito ruidosa na sessão), abro um sorrisão de orelha a orelha e fico suspirando. Já sabia que o final seria nenhum outro senão esse, com o beijo da mocinha e do mocinho? Já, não vou mentir para você. Ainda assim, acontece! Outra são os discursos de batalha. Todos os pelos loiros deste bracinho fino sobem quando os guerreiros estão às bordas do combate, e o líder começa a dizer coisas bonitas e cheias de dignidade, envolvendo em quaisquer combinações as palavras "morte", "liberdade", "honra" e "força". Depois, num berro gutural, eles conduzem a massa em direção à linha do entrevero e é espada para todo lado, para meu completo deleite. Ulalá! Por fim, sou uma boa freguesa de filmes catástrofe. Tento resistir bravamente – e já obtive vitória, pois não fui ao cinema ver "Godzilla" nem "Independence Day". Mas ao deitar os olhos sobre o trailer desse tal "O Dia Depois de Amanhã", os comichões para pagar 12 lascas começaram. "Qual a chance do filme ser bom?", pergunta minha econômica consciência. "Nenhuma", respondo a mim mesma, resignada. Mas deixa meu grilo falante particular se distrair um pouco, que corro à bilheteria – mesmo que seja para me arrepender depois. Um dia eu aprendo… Até lá, vou caindo em coisas desse tipo e em muito mais, como os hits de verão da Ivete Sangalo (não consigo tirar "Poeira" da cabeça – sem duplo sentido), as novas sensações do R&B (atualmente, não resisto aos primeiros acordes de "Crazy in Love", da Beyoncé) e programas ruins de tv – e esse último abarca tanto assunto que fica para outro dia. Juro que vai valer esperar...
Eu não sei porque insisto nisso... |
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